OBSOLESCÊNCIA e a má fama do MARKETING

Pessoas nascem, crescem e morrem. Produtos e serviços também. Essa razão de vida e morte permeia tudo que possui alguma forma de vida própria ou não.

Um das coisas que mais irritam o consumidor é a obsolescência de produtos e em informática isso é ainda mais grave. É o que acaba contribuindo para a má fama dos profissionais de marketing.

Mas é assim que o mercado caminha. Produtos são criados, desenvolvem-se, param sua curva de crescimento e aí precisam morrer ou serem mortos.

É importante que entendamos a questão da obsolescência, pois em marketing o que importa mesmo é se ‘vende’ e se ‘resolve um problema’. Necessariamente nessa ordem. E se isso não acontece é a morte certa.

Existem quatro tipos de obsolescência.

A primeira é a OBSOLESCÊNCIA TECNOLÓGICA que acontece naturalmente e é a mais conhecida. A toda hora chegam coisas novas e as velhas, com o tempo, acabam ficando tão para traz que até para conseguir consertar fica difícil. Vira sucata ou artigo de museu. Um outro lado dessa estratégia é conservar determinados aparelhos por certo tempo e ai de candidato a sucata eles viram relíquias valiosíssimas. A retirada de produtos do mercado e a chegada de novos modelos estimulam a compra dos novos. Essa ação das indústrias é baseada em vários princípios, inclusive no que tange a Lei do Consumidor. No caso dos notebooks, DVD Players e Home Theaters o que vemos é novos modelos a cada novo lote de produtos. O XPTO HT 01 e em seguida o XPTU HT 02. Essa sopa de letrinhas foi muito bem abordada no brilhante artigo do Laércio Tecnologias ‘engana trouxa’. Muitas dessas alterações visam evitar dores de cabeça quando de trocas de produtos. Por não ter mais esse modelo a troca geralmente acaba sendo um pouco mais cara por se tratar de um novo modelo. Quando não se utiliza bem essa estratégia ela gera grande insatisfação.

A segunda é a OBSOLESCÊNCIA FÍSICA . Ela está atrelada a produtos que são fabricados e que já vem com data marcada para morrer. É o caso dos descartáveis ou aqueles que ‘duram’ determinado número de horas, dias ou anos tais como monitores, lâmpadas, pilhas, meias, celulares etc.

A OBSOLESCÊNCIA DE ESTILO está atrelada à moda. O estilo pode ser mudado por uma nova onda gerada espontaneamente por um grupo social (ambientalistas, roqueiros, motociclistas, patricinhas etc.) ou impostas pela indústria da moda. Andar na moda é algo que tem além do significado de sentir-se bem por usar algo digamos ‘bonito’ é também uma forma de adotar um padrão de aceitação. Para entrar em determinados grupos você precisa estar de acordo com suas filosofias e vestir-se é uma delas. Quando uma moda ‘pega’ literalmente presenciamos nas ruas pessoas desfilando roupas iguais. Parece fardamento de colégio. Quando alguém resolve ser um pouco diferente ou criativo, aí… É um choque! Lembro de um causo (folclore ou não, vale contar) que aconteceu na cidade de Sobral, Ceará. Na época estavam chegando uns cientistas americanos para verificar a consistência da Teoria da Relatividade de Einstein. Sobral era um dos melhores pontos de observação do fenômeno. A população de Sobral sempre foi muito ligada à moda e as coisas de fino uso. A cidade possui casarios belíssimos e foi um dos primeiros lugares a dispor internet sem-fio em praça pública (ação do à época prefeito e hoje Governado Cid Gomes, irmão de Ciro Gomes). Mas os cientistas chegaram e ai aconteceu que foram recepcioná-los no aeroporto da cidade. Autoridades e suas esposas em roupas à beca. Os cientistas saem do avião e dois deles descem com as gravatas viradas para trás por cima dos ombros. Com certeza isso foi ocasionado pelo vento, mas a população ‘antenada’ imediatamente ouviu alguém dizer que ‘essa seria a moda nos EUA’. Ai, à noite, quando foram ao jantar, a grande maioria dos convidados estava com suas gravatas para trás e por cima dos ombros. Por causa disso é que o pessoal não fala Sobral, Ceará, mas ‘United States of Sobral’. O povo não perdoa…

Por último a OBSOLESCÊNCIA PLANEJADA . Nessa, as novas tecnologias são guardadas, mesmo estando prontas para lançamento, até que a que está no mercado entre em declínio. Quem utiliza muito essa estratégia é a Gillette. Essa é a ação do deixa morrer antes de lançar o novo. Embora o cliente seja favorável a adoção dessa estratégia, ele fica bastante zangado quando a moda sai rápido demais gerando um sentimento de frustração.

Realmente é necessário utilizar essas estratégias. Porém o cuidado na sua utilização respeitando as condicionantes de tempo, necessidade e concorrência são fundamentais para gerar confiança no cliente. Caso contrário, essa insegurança fará o cliente mudar de marca.

Recomendo sempre que for utilizar-se de cada uma dessas ações que analise bem a curva de crescimento. Ela lhe dará sinais de mudança e quando esses sinais são respeitados haverá nítida satisfação no cliente. Um misto de analisar o comportamento do produto e ver se ainda pode melhorar sem ter que matar e ouvir o cliente através de pesquisa é uma fórmula base para tomar sérias decisões com o máximo de segurança.

Fique atendo, pois tudo tem prazo de validade, inclusive esse artigo. Daqui a uma semana ele sairá da primeira página.

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