iPhone: "Olho gordo" da Claro?

O iPhone é um smartphone criado pela Apple que agrega em um só aparelho além de um telefone celular, mp3 player, câmera digital, acesso a internet, álbum de fotos digital e mais um mundo de outras funções. Ele será, no lançamento, exclusivo da operadora Claro. Pois a Apple normalmente seleciona uma operadora exclusiva em cada país para vender o seu aparelho.

Antes do anúncio da venda iphones Apple no Brasil muitos privilegiados compraram os seus aparelhos em viagens ao exterior, por encomenda ou por contrabando. Muitos ofereciam serviços de desbloqueio para uso no Brasil e dicas eram publicadas na internet a respeito do assunto. Literalmente o iPhone virou o sonho de consumo dos usuários de telefonia e de tecnologia e deverá ser o esperado fenômeno de vendas do Natal de 2008.

Em maio de 2008, a própria Claro e a Telmex, dona da Claro, fecharam acordo com a Apple para vender o iPhone na América Latina.A América Móvil/Telmex pertence ao bilionário mexicano Carlos Slim e possui uma carteira de 159 milhões de clientes de telefonia móvel em todo o continente. Além de controlar a Claro no Brasil, a Telmex é dona da TelCel (México), Claro Chile, Comcel (Colômbia) e Potra (Equador). No Brasil, a Claro detém atualmente 31 milhões de usuários e é a terceira maior operadora móvel do país, pouco atrás das líderes TIM e Vivo.

A América Latina será o último continente a ser atendido pela Apple. Austrália e Nova Zelândia, na Oceania, Índia, na Ásia e Egito e África do Sul serão contemplados antes de nós. Nos Estados Unidos a versão do iPhone com 8gb de capacidade de armazenamento custa US$ 399, e a com 16gb custa U$$ 499. Ao todo, já foram vendidos mais de quatro milhões de aparelhos.

No dia dos namorados a Claro enviou várias unidades de iPhones para a homologação dos aparelhos no Brasil. Esses aparelhos são os que seguem para as lojas para exposição e degustação e, geralmente, não são vendidos. A Anatel já liberou, em 12 de julho, a venda dentro dos 60 dias corridos previstos para a homologação.

Matérias e mais matérias foram publicadas a respeito e muita especulação se gerou em torno do tema: “Quanto vai custar?” Muitos adiaram suas compras no exterior na esperança que os iPhones chegassem aqui a preços destinados aos imortais do 1º. Mundo. Tudo indica que a esperança morreu primeiro e que o problema maior ainda não é esse.

De olho (gordo?) neste mercado a Claro abriu inscrições para a compra dos iPhones que ela estará lançando ainda neste semestre no Brasil.

Segundo informações que circularam na imprensa esta semana (27), a operadora de telefonia Claro anunciou a cobrança de uma taxa de reserva de R$ 100 dos clientes interessados em comprar o iPhone 3G. Os aparelhos devem chegar oficialmente ao país ainda em setembro, segundo informações do serviço de reserva. A data oficial a Claro não confirma e muito menos o preço final.

O que eu temia está acontecendo: ‘cobrança de taxa de inscrição’. A cobrança é a meu ver uma espécie de ágio para as pessoas que se inscreveram no site da Claro e que deveriam ser atendidas por ordem de inscrição. Me parece ilegal (e é pois em 01/09/08 – dois dias depois de publicarmos e consultarmos a Proteste, o Procon alertou a Claro e ela retirou a cobrança e vai devolver o dinheiro). Essa de se cobrar taxa para confirmar pré-inscrições não estava previsto e soa no mínimo como ‘estranho’. As atendentes afirmam que o valor cobrado será descontado no momento da compra. Realizei consulta a Proteste ( www.proteste.org.br ) a respeito da legalidade e até o fechamento desta coluna não obtive resposta.

A fila de espera é estimada em mais de duzentas mil inscrições e não pára de crescer. A maioria desses potenciais clientes está interessada na informação que o brinquedo custará o mesmo preço praticado no exterior. Mas não será assim. Informações ainda não confirmadas pela Claro dão conta de que o aparelho será vendido avulso e desbloqueado pelo valor de R$ 2.799,00 podendo ser habilitado por qualquer operadora. Estas informações indicam que os planos e os valores cobrados deverão ficar mais ou menos assim:

80 Minutos: Valor do Plano R$ 84,90 – Aparelho iPhone Claro 3G 8GB: R$ 1.299,00.

120 Minutos : Valor do Plano R$ 105,90 – Aparelho iPhone Claro 3G 8GB: R$ 999,00.

240 Minutos: Valor do Plano R$ 155,90 – Aparelho iPhone Claro 3G 8GB: R$ 899,00.

600 Minutos: Valor do Plano R$ 269,90 – Aparelho iPhone Claro 3G 8GB: R$ 599,00.

900 Minutos: Valor do Plano R$ 376,90 – Aparelho iPhone Claro 3G 8GB: R$ 399,00.

Assim, o sonho de ter um iPhone por apenas US$ 399,00 pode virar um pesadelo de R$ 2.799,00 ou para comprar mais ‘barato’ atrelar-se a um plano (a famosa casadinha).Com essa informação nova e a velha ‘ganância’ das operadoras de telefonia do Brasil, o mercado de contrabando deverá aquecer novamente. Sim, pois mundialmente anunciaram iPhones Apple legalizados e com nota fiscal, garantia e tudo a preços, digamos, ‘paraguaios’. Muitos comprarão no mercado paralelo aparelhos talvez já desbloqueados por valores bem inferiores aos sugeridos pela Claro no início da comercialização. Acontece que, se o lançamento fosse mundial e todos recebessem tais aparelhos ao mesmo tempo, isso se justificaria. Porém, sendo o Brasil um dos últimos da lista essa visão de vendas é absurdamente equivocada e não premia o princípio da exclusividade, já que não é difícil para a maioria das pessoas, buscarem ter um iPhone através de ‘outros caminhos’.

Visões comerciais deste tipo são impopulares e geram nos consumidores frustrações enormes e aumentam a já gigante antipatia que existe entre usuários e operadoras de telefonia no Brasil.

É impressionante como se faz questão de irritar o consumidor e, indiretamente, estimular a compra de iPhones através de meios alternativos, que comprovadamente prejudicam o nosso país.

Quando chegarem os primeiros relatórios e perceberem que o ‘tiro foi dado no pé’, os executivos de vendas decidirão abaixar os preços para tirar mercado do contrabando.

Como consumidor prefiro esperar que as leis de mercado façam a sua parte e acomodem a nossa realidade ao que o mundo sabiamente anda praticando, pois os preços aparentemente propostos ou supostos e, as taxas cobradas, além do lançamento não ser mundialmente simultâneo, não justificam a utilização da Lei da Exclusividade. Para vender ainda mais, a Claro poderia emagrecer um pouco o ‘olho gordo’ e não correr o risco de ‘morrer pela boca’, além de fazer com que este missivista, literalmente, venha a‘morder a própria língua’.

Quanto ao meu iPhone? Bom, com certeza será um legalizado e em 2009 depois que o ‘olho gordo’ da Claro retornar, mais magro, do SPA DO MERCADO.

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