Suzy: a Suzukona alva, bonita e de alma antiga

Pegue uma Bandit, coloque uma carenagem, faça uma mudança aqui, outra ali, e pronto: você acabou de montar uma Suzuki GSX 650 F, Suzy, a Suzuki alva!

Logo de cara, saindo do QG da Best Riders, poucas esquinas à frente, percebi que apesar da moto seguir uma linha “speed”, possui uma posição de pilotagem mais ereta, o que alivia bastante as costas do piloto. Entrando na Marginal Pinheiros, uma das principais avenidas da capital paulistana, outra percepção: os quatro cilindros, 16 válvulas comando DOHC e 656 cm³ parecem não ser suficientes para retomadas rápidas. Tem uma potência boa, porém não possui aquela “disposição” de uma “speed” de nascença como uma Fireblade, ZX10 ou uma R1. Está em outro patamar. De novo: uma Bandit carenada.

Uma explicação é o comprimento da Suzy, 2,13 metros, e seu sobrepeso de 215 kg seca, o que a deixa mais mansa. Apesar de seus 85 cavalos (segundo a Suzuki), ela parece mais mansa do que a CBR 600 F, que com seus 77 cavalos (segundo a Honda), e 50 centímetros cúbicos a menos parece mais “bravinha”. Porém, a jovem moça se mostrou uma boa opção de entrada no modelo carenado.

 

Estrada: Rodei direto por 180 quilometros na estrada, só parei uma vez para abastecer e nem desmontei direito da moto. Como disse antes, a postura não castiga e o desempenho na estrada aberta é muito bom. Seus 85 cavalos dão conta do recado e a sexta marcha é uma grande conveniência para a velocidade cruzeiro se refletindo diretamente no consumo de seus 19 litros do tanque. Mas como disse, não exija muito na retomada em ultrapassagens. Se quiser ter mais agilidade mantenha a rotação alta. Um acessório que funciona bem é a grande bolha que dá um conforto ao piloto segurando o vento na estrada.

No trânsito ela se sai bem, mesmo com o pequeno curso do guidão. Como a maioria das motos carenadas com retrovisor fixo, a visão traseira pelo espelho é muito boa, e com fácil regulagem. A baixa vibração também aumenta o conforto e o prazer em pilotar.

A Suzy tem  farol multi-refletor de lente plana. Na traseira, a lanterna foi instalada sob a rabeta e as setas possuem lentes transparentes com lâmpadas amarelas, que oferecem melhor visibilidade aos outros motoristas e motociclistas. Os instrumentos do painel são acessíveis e intuitivos. Analógico para o conta-giros e digital para o velocímetro, e de quebra conta com shift-light.

Os freios flutuantes duplos dianteiros (simples traseiros) respondem bem, mas ao meu ver o ABS deveria ser para todos os modelos, sem exceção. Aliás, acredito que esta tecnologia deveria ser obrigatória, como item de segurança, para motos com a proposta de rodar rápido. Ainda mais para este modelo da Suzuki, que é especialmente mais pesado do que as concorrentes de outras montadoras.

A ventoínha do radiador faz ruído alto quando liga em ponto morto. E já que estamos falando em barulho, regule bem a tensão da corrente para evitar ruídos e desgastes indesejáveis na estrada, ou chicotadas nas mudanças abruptas de marcha. Tive que fazer esta regulagem depois de 150 quilômetros rodados durante o teste.

O chassi, com quadro tubular com berço duplo, proporciona uma boa ciclística em curvas, especialmente acima de 110 km/h, dando segurança ao piloto. Nada em especial sobre o câmbio. Só vale ressaltar novamente que a sexta marcha é excelente para manter velocidade de cruzeiro na estrada.

A suspensão é outro ponto alto da Suzukona, telescópica frontal e monoamortecida na traseira. Não foi qualquer buraquinho que causou desconforto a este urso que vos escreve. Descendo mais na suspensão encontramos os pneus dianteiro e traseiro, respectivamente de 120/70-17 e 160/60-17.
Alguns dados de desempenho provenientes da Suzuki:

0-100 km/h – 4,4s
De 40 a 70 km/h em 3ª – 2,6s
De 60 a 90 km/h em 4ª – 3,2s
De 80 a 110 km/h em 5ª – 3,7s
De 100 a 130 km/h em 6ª – 4,3s
400 metros em 13 segundos chegando a uma velocidade de 171,3 km/h

 

Concluindo: a moto tem cara de pesada, estilo pesado, e pasmem, é pesada! A cara da Suzy é de novinha mas de alma antiga. O projeto do motor é do século passado. Era 600 cm³ e ganhou alguns músculos a mais (50 cm³) e um radiador, o que a tornou mais pesada. Uma dieta para os próximos modelos não seria nada mal. Acredito que muitos adeptos da Bandit, que preferiam motos carenadas, migraram para este modelo.

Mas precisa ser muito “fan-rider” da Suzuki para olhar para os modelos concorrentes, como a CBR 600 F ou uma verdinha da Kawasaki e não balançar. Usei a moto 70% para me deslocar na cidade, e neste cenário não a julguei como uma moto ideal. Agora, se você aproveita aquela esticadinha para o litoral no final de semana, ou gosta de fazer passeios com seu grupo em estradas, recomendo fortemente que faça um test rive nesta “touring” com cara de “speed”…

Keep Riding…

 

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