O que mata um mito?

Nesta semana onde o mundo perdeu um ‘cara’ que mesmo com toda a ‘bizarrice’ proporcionou alegria e admiração a muita gente. Ajudou muita gente, mas não conseguiu ajudar a si mesmo.

Michael Jackson, morreu!Morreu? Elvis Presley também morreu, né?

Não, amigos leitores! Os mitos nunca morrem, por que eles estão ‘soldados’ nas nossas lembranças, na nossa vida e, geralmente, em épocas nas quais nós mais precisávamos deles. Por isso, Elvis, Jackson, Lennon, Che, Mozart, Santos Dumont, Airton Senna, Cazuza e tantos outros, não morreram, apenas sumiram ou deixaram de criar.

A morte de um gênio está na frase mais bem colocada que já vi a respeito: ” A adversidade revela o gênio. A prosperidade o esconde.” E complementando: deixar de criar o mata. Michael Jackson morreu há pouco mais de 10 anos quando deixou de criar.Não só Jackson, mas Elvis também terminou assim e como ele muitos outros tiveram a mesma sina.

John Lennon foi salvo das drogas por Yoko, mas não durou muito e acabou sucumbindo a loucura de um cara que para aparecer para a namorada resolveu matar o mais famoso dos Beatles. Toda a carreira bem sucedida exige repaginações e mudanças para se adaptar aquilo que eles mesmos mudaram. Madonna e Pelé são dois bons exemplos disso. Madonna conseguiu entender que adaptação é fundamental para manter-se criativo e ativo. O último show da Madonna em nada se parece com a mesma pessoa que começou sua carreira. Na época Madonna mais se parecia com Cindy Lauper do que com ela mesma. Mas soube mudar lentamente por fora e por dentro, mas como ela mesma já deixou escapar-seria uma mulher de fases. Madonna está bem longe de ser meu modelo de símbolo sexual, mas é impossível não dizer que ela mexe, em alguns pontos, comigo. Atiça, provoca e faz pensar em tentar fazer algo diferente.

Pelé soube a hora certa de parar e aproveitar sua fama de rei do futebol e atleta do século para trilhar outros caminhos, sem, no entanto, deixar de ser o Pelé. Ele, mesmo sendo rei, também cometeu erros e sofreu com eles no modo mortal. O filho preso por tráfico de drogas, uma filha fora do casamento que ele não quis reconhecer e teve que fazê-lo por ordem da justiça e assim vai. Os mitos não são perfeitos e se assim o fossem não seriam mitos.

O que nos encanta nos mitos é a capacidade deles de mudar todo um cenário, uma geração inteira, influenciar no modo como as coisas são feitas e depois que tudo mudou eles geralmente olham em volta e se perguntam: -“Nossa! Eu fiz isso? O que eu faço agora?” É esta maldita pergunta que assola todos que quebram regras e precisam passar a conviver com elas. Outros mitos só são reconhecidos após sua morte e muitos anos depois como foi o caso de Tesla.

Elvis Presley seguiu uma trilha semelhante aos mitos que morreram por não mais conseguirem criar. Sim, a bebida, as drogas e os exageros podem ser atribuídos, em parte, ao bloqueio que dá nas pessoas quando elas começam a se cobrar pelo novo show, pela nova música, pela nova irreverência ou ainda a respeito de qual regra eles precisam quebrar para continuar em evidência. Elvis, depois da sua morte, gerou mais dinheiro do que quando estava vivo. Os Beatles também. Mozart até hoje é tocado, mesmo tendo morrido na própria miséria. Parece que Deus leva os seus protegidos para evitar que sofram mais do que são capazes de suportar.

A mídia, considerada um segundo deus, na realidade é o próprio calvário de um gênio. Assim como Elvis não segurou a barra, Michael e Cazuza acabaram caindo também. Cazuza vítima da AIDS em razão da sua ‘opção sexual’ ou da forma como ‘se relacionava sexualmente’, a verdadeira razão não importa. O que importa é que Cazuza também mudou uma época e mexeu com muita gente que a partir da sua morte passou a se cuidar mais ou pelo menos passaram a se preocupar com quem dividiam a cama. De alguma forma, toda a pressão que uma pessoa criativa, revolucionária, irreverente, enfim, o que um mito suporta vem da mídia que promove, cobra, critica e condena à morte. Garrincha, o gênio das pernas tortas; Reinaldo e Paulo César ‘Caju’ também souberam o que era o aviso de não apertar seus pontos fracos.

Nossas fraquezas são botões que não devemos deixar apertar. Todos os fortes fraquejam e todo processo criativo e suas novas idéias ficam velhas. É preciso reinventar-se para continuar sobrevivendo. Uma das grandes lições nós recebemos todos os dias com a tecnologia. Quem se apega a uma, em pouco tempo, acaba indo pro lixo junto com ela.

E se você pensa que esta reinvenção é apenas para os mitos, está enganado. O seu passado de glórias e o deles não te garante o futuro. Garante apenas que você é capaz de fazer algo diferente, mas não garante nada e, é aqui, que muitas carreiras promissoras acabam em unidades de recuperação de drogados, alcoólicos anônimos e tantas outras entidades que tentam trazer as pessoas de volta a realidade. A dura realidade. Eu nem me lembro mais quantas vezes tive que me reinventar e adaptar-me às novas circunstâncias e momentos para continuar criando e vivendo. É sofrido, nos cobramos muito, mas precisamos nos recriar e se não conseguimos-parar por um tempo pode ser uma saída. O melhor mesmo é virar a própria mesa e jogar tudo fora e começar algo novo, do zero!

Michael Jackson conseguiu todos os recordes possíveis. Até o de, depois da sua morte, ter praticamente travado a internet mundial. Mas muitos perguntam: “Quem era Michael Jackson?” Centenas tentaram responder e todos estavam em parte certos. Mas um mito não se define em palavras ou através de frases. Um mito é um mito e pronto!

Os mitos aparecem para te dizer uma coisa apenas: -“Olha, cara… tua vida ta sem graça, igual… que tal fazer assim ou pensar diferente? Que tal tentar por pra fora aquela rebeldia que seus pais não deixaram? Que tal acreditar que mesmo sendo diferente pode ser bom?” É mais ou menos assim.

Não se trilha um caminho de sucesso seguindo os mesmos passos de um ídolo. Os mitos são apenas referência positiva da parte que você deseja mudar na sua vida e na sua carreira. Michael Jackson foi um dos poucos artistas a entrarem duas vezes ao Rock And Roll Hall of Fame, uma série de recordes certificados pelo Guinness World Records(Thriller o álbum mundialmente mais vendido de todos os tempos) , dezenove Grammys em carreira solo e seis Grammys com The Jacksons e 41 canções a chegar ao topo das paradas como cantor solo. Outros recordes foram as vendas que superam as 750 milhões de unidades mundialmente, chegando, segundo a Sony a registrar a marca de mais de 1 bilhão. Nos últimos anos, foi citado como o homem mais conhecido mundialmente e agora o homem que conseguiu congestionar a internet mundial. Um fenômeno que durou três décadas e morreu lentamente em dez anos.

Falar dele, elogiá-lo, criticá-lo, condená-lo é fácil, mas uma coisa é certa para um mito: difícil é ser um. Impossível ser um Michael Jackson, por que os mitos são eternizados como lendas pelo seu esplendor e nunca pela sua decadência.

Os mitos, como Michael, nunca descansam em paz por que sempre terá alguém tocando ou cantando sua música, pois a única forma de matar um mito é nunca mais se lembrar dele.

Vale a pena ver este vídeo feito por presos filipinos em nova coreografia:

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