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Manobrando a moto em baixa velocidade – Zona de Atrito

Imagem2Por Angelo Viana e Silvio Cimino, instrutores e proprietários da empresa TOP RIDER, especializada em programas de pilotagem e formação de motociclistas de alto desempenho. Para maiores informações acesse www.toprider.org.

A zona de atrito, embora não esteja além da imaginação, não está muito longe disso. É um lugar estranho, que nós não pensamos frequentemente quando pilotamos nossas motos, mas para quem pretende dominar as técnicas de controle da moto em baixas velocidades, é um lugar com o qual temos que nos tornar intimamente familiarizados.

Simplificando, a zona de atrito é uma posição de sua manete de embreagem que está em algum lugar entre totalmente apertada e totalmente liberada. Esta posição, ou melhor, esta faixa de posições possíveis, é a última palavra no controle da moto, e dominar a zona de atrito é o Santo Graal da pilotagem em baixas velocidades.

Primeiro, vamos nos certificar de que estamos falando claramente. Quando falamos de pilotagem em baixa velocidade, estamos falando de movimentos a menos de 20 quilômetros por hora com os pés fora do chão e sobre as pedaleiras ou plataformas. A essas velocidades, você deve virar a moto girando fisicamente o guidão, em vez de inclinar primeiramente a moto fazendo o contra esterço. É claro que você ainda poderá inclinar a moto (técnica de contra peso), mas a fim de obter uma mudança de direção você deverá virar o guidão. Isto significa que a pilotagem em baixa velocidade exige um pouco mais de trabalho intensivo, concentração e coordenação física.

ponte 1 (1)A próxima coisa que nós temos que esclarecer é sobre como é que você sabe que está no controle de sua moto em baixa velocidade; muito bem, em baixa velocidade, você estará no controle quando a moto se movimentar lenta e suavemente em decorrência de qualquer ação que você tome, seja um movimento para frente, uma meia-volta lenta que começa a partir de uma parada em um cruzamento, ou uma saída de uma posição estacionária.

Usar a zona de atrito é dominar o controle motor fino coordenado da embreagem e do acelerador. Isto significa que você usa os músculos de sua mão esquerda para fazer pequenos ajustes, suaves e precisos, da embreagem e ao mesmo tempo usa os músculos em sua mão direita para enviar pequenos comandos, suaves e precisos, pelo acelerador.

Mas como encontrar a zona de atrito ao utilizar a manete da embreagem? com a moto em execução de marcha, mantendo a manete da embreagem comprimida, você estará transmitindo tração zero para a roda traseira; já à medida que a manete é aliviada, a zona de atrito começa no ponto em que a embreagem começa a empurrar a moto para frente. Em outras palavras, é o ponto em que a embreagem apenas começa a transferir energia para a roda traseira. A zona de atrito termina quando a embreagem estiver completamente libertada, quando 100 por cento da potência do motor for transferida para a roda traseira.

O que nos interessa é a parte útil da zona de atrito, a parte entre o 1 e 99 por cento. Conforme liberamos a embreagem, a manete se move a uma distância pequena, talvez alguns centímetros, para sair de 1 para 99 por cento de transferência de energia. Aqui é onde o controle motor fino entra. Dominar a zona de atrito consiste em apertar ou soltar embreagem em pequenos incrementos, afim de entrar na faixa de potência superior a 1 por cento e menor do que 100 por cento. Estabelecer exatamente onde fica esta faixa dependerá de muitos fatores, e cada combinação moto/motociclista é diferente. No entanto, é seguro dizer que entre 25 e 75 por cento da energia disponível deveriam ir para a roda traseira. Isso soa familiar? O que você está fazendo é o que também é conhecido como “patinar” ou “desacoplar” a embreagem.

Eu sei que alguns de vocês estão pensando: Do que esses caras estão falando? Patinar a embreagem? De jeito nenhum, isso é loucura. Eu dirijo meu carro – com câmbio manual – há anos, e patinar destrói a embreagem. Bem, você está absolutamente certo, patinar a embreagem em um carro, caminhão ou veículo irá danificar seus componentes, mas em uma motocicleta os discos de embreagem são “úmidos” (pelo menos na grande maioria das motos). Há uma fina camada de óleo entre eles, e eles foram feitos para serem patinados. Patinar a embreagem em uma moto é parte do que a motocicleta foi projetada para fazer.

Contudo não basta apenas patinar a embreagem para fazer a motocicleta avançar em baixa velocidade. Enquanto liberamos a embreagem também devemos dar à moto um pouco de poder torcendo o acelerador. Caso assim não seja, é claro, a moto irá parar.

A técnica para o movimento do acelerador é a mesma abordagem usada no movimento com a embreagem – ajustando a mão direita em pequenos incrementos para medir exatamente a quantidade de força que é necessária. Em vez de pensar na gestão do acelerador como rolar para acelerar, rolar para desacelerar, e aceleração constante, pense em termos mais sutis como pressão de torção positiva, negativa e neutra sobre a manopla do acelerador. Mesmo um milímetro na manopla poderá fazer a diferença na forma como a sua moto se comporta. Nesse ponto uma boa dica é manter o pulso “para baixo” em vez de “para cima” para melhorar o seu controle sobre o acelerador.

Agora vamos voltar para o elemento do controle motor fino coordenado que mencionamos anteriormente. Enquanto liberamos a embreagem uma pouco por vez para mandar a força para a roda traseira, também devemos variar a pressão com a qual torcemos a manopla do acelerador; esse mix – misturando e combinando os comandos – permite que a moto se comporte em baixas velocidades como você quiser. Mas quanto de embreagem e acelerador você precisa combinar? Depende. Cada moto é diferente. Cada motociclista é diferente. Cada manobra requer um controle motor fino coordenado diferente. É com você praticar o suficiente para sempre que precisar, obter nessas situações de baixa velocidade uma combinação perfeita e familiar de embreagem e acelerador ao seu alcance.

Lembre-se de sempre deixar sua moto ajudá-lo. Quando se combina perfeitamente os fatores de domínio da zona de atrito, o resultado é ouvir o motor ronronando junto a um agradável e constante RPM, e tudo na moto ficará equilibrado. É tudo uma dança muito sutil, altamente coreografada entre você, a embreagem e o acelerador, e assim como qualquer coisa que é altamente coreografada, a única maneira de mantê-la perfeita é conseguir juntar todos os elementos através de muito ensaio e prática.

Então a partir de agora, ouça o que seu motor está lhe dizendo, e concentre-se em executar as manobras de baixa velocidade usando a técnica da zona de atrito. É mais efetivo, seguro e confere maior controle e manobrabilidade da moto em situações onde a força da gravidade tentar vencer (o famoso “tombar a moto”).

 

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