INFORMÁTICA: A PNAD revela novas tendências.

Hoje é um dia de grande festa na casa da Dona Gilza. Seu primeiro computador chegou. Ela faz parte da legião de 20 milhões de novos consumidores que ajudaram a economia brasileira a crescer, principalmente o setor de informática. Junto com o micro ela comprou um móvel especialmente para colocar o novo eletrodoméstico. Inicialmente o computador ficará no quarto da Dona Gilza pois, custou muito caro pra renda dela. A TV, antes no seu quarto, vai para a sala onde fica a geladeira que ela acabou de pagar. Neste mesmo dia chegará o serviço da empresa de telefonia para instalar a internet. Em poucas horas Dona Gilza fará parte dos 20% de brasileiros conectados à internet.

A economia brasileira vai bem, obrigado! Ao fazer o dever de casa direitinho, aquilo que começou na gestão FHC foi continuada e até melhorada, em alguns pontos, pela gestão Lula. Isso nos trouxe algumas vantagens tais como uma política econômica previsível, agricultura moderna, milhões de novos consumidores e mais de 200 bilhões em reservas. Temos as nossas fragilidades, mas o Brasil da Dona Gilza vai bem e ainda tem muito espaço para crescer. O consumo aumenta e melhora a vida de muitas pessoas, o Brasil passa ao largo da crise e os novos números da economia projetam uma nova fase e novos modelos de consumidores.

Para quem gosta de números esses dados trazem novos caminhos para quem atua no negócio informática.

Ainda me lembro em meados dos anos de 1970(pode dizer Século passado) as televisões estavam começando a sua popularização. Muito disseram que ela não daria certo, mas deu; e hoje o seu número é absoluto!

Segundo recente pesquisa do IBGE-PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) a televisão ainda reina com pequena margem de diferença dentre os eletrodomésticos essenciais. Ganha do fogão e da geladeira, mas aos poucos ela começa a perder terreno e a ser ‘engolida’ pelo computador e tudo o que está relacionado a ele.

Antes de continuarmos com o verso e a prosa mercadológica vale destacar aqui o que é a PNAD. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – PNAD é uma pesquisa feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em uma amostra de domicílios brasileiros que, por ter propósitos múltiplos, investiga diversas características socioeconômicas da sociedade, como população, educação, trabalho, rendimento, habitação, previdência social, migração, fecundidade, nupcialidade(relaciona o número de casamentos por cada mil habitantes numa dada região e num período de tempo), saúde, nutrição etc., entre outros temas que são incluídos na pesquisa de acordo com as necessidades de informação para o Brasil. A pesquisa é feita em todas as regiões do Brasil, incluindo as áreas rurais e Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá, regiões estas antes excluídas.

Em sua coleta de dados, os pesquisadores da PNAD também colhem a autodeclaração da etnia (branco, negro, índio etc) do pesquisado. Tais dados, sempre são analisados com cuidado por se tratar de uma pesquisa por amostra domiciliar, que apesar de revelar tendências, não tem valor absoluto sobre toda população. E também porque há ainda no Brasil uma tendência de se autodeclarar mais para claro do que para escuro em termos raciais. Mas isto vem mudando por conta do amadurecimento por parte das pessoas e com o aumento da consciência e da valorização sobre a importância de cada grupo étnico para a construção da cultura nacional.

Os indicadores apresentados são disponibilizados em publicações, bem como no site do IBGE e em CD-ROMs e devem ser considerados como leitura obrigatória para quem atua com marketing, vendas e acima de tudo novos produtos e tecnologias. Quem trabalha embasado na PNAD tem pouca chance de errar quando do lançamento de um novo produto ou serviço baseado numa tendência.

Voltemos ao tema. Mais recentemente saiu outra pesquisa da PNAD onde o país superou o índice de 20% de residências com acesso à internet. Nas regiões Norte e Nordeste, no entanto, o índice não bate nos 10%. Apenas 8,2% das casas no Norte, e 8,8% no Nordeste, possuem acesso à rede mundial de computadores. De acordo com a Pnad, pouco mais de 11,3 milhões de moradias brasileiras, ou 20,2% do total, têm computadores ligados à web. O número é quase três vezes maior do que o resultado constatado em 2001, que era de 4 milhões. Na pesquisa anterior, com dados de 2006, eram 16,9% as residências ligadas à rede.

Residências com computador-Brasília a cidade mais conectada.

A região Sudeste, possui mais da metade das casas brasileiras com computador – 8,7 milhões, de um total de 15 milhões. Enquanto 34% das residências nos estados de Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo possuem computador, 27,4% possuem acesso à internet. O Sul, com 24%, e o Centro-Oeste, com 18,4%, vêm a seguir.

O mais conectado é o Distrito Federal. São 48,8%. Em São Paulo, 39,5% das casas têm microcomputadores. Mas isso apesar de mostrar uma tendência ainda precisa de mais alguns outros dados para confirmar novos hábitos. Somos os campeões mundiais de navegação na rede com mais de 24 horas de acesso por semana; somos a primeira língua escrita no Orkut e o terceiro mercado para celulares no mundo. Porém, fazemos parte do grupo negro da pirataria e somos um dos países onde mais se vende softwares piratas.

Juntando mais dados a essa sopa de números acrescentamos o crescimento dos notebooks como primeiro computador e como segunda e terceira máquina de uma residência e mesmo com a entrada da classe C e D nas estatísticas de venda de computadores, o crescimento dos desktops será negativo pela primeira vez na história dessas máquinas no Brasil.

Há várias leituras que podemos fazer ao juntarmos todos esses ingredientes para formar a sopa de tendências. Uma delas é a preferência pela portabilidade e o ‘tudo em um’ ou ‘all in one’ como preferem alguns. Entretenimento, informação e relacionamento estão como os principais sentimentos que movem o brasileiro a buscar essas tecnologias. Aqui entra um outro dado interessante que confirma isso. Um estudo realizado com 1.102 jovens dos Estados Unidos, com idades entre 12 e 17 anos, mostra que 99% dos garotos nessa faixa etária joga games. Entre as garotas, o número cai para 94%. Entre aqueles que jogam diariamente, 65% são do sexo masculino, enquanto 35% são mulheres, diz a pesquisa do Pew Internet and American Life Project. No Brasil os números não chegam a tanto, mas já passam dos 50%.

Mas quem seria este novo consumidor?

O novo consumidor deseja celulares inteligentes, plugados, notebooks, games, LCDs. Tudo precisa estar conectado em tempo real. Mobilidade e portabilidade ainda são os principais temperos desta sopa de tendências. Nada fixo ou preso por fios. Com isso algumas coisas devem mudar. Neste novo cenário estabilizadores e no-breaks se deslocam de computadores fixos para LCDs e para consoles e a tendência para proteção das fontes de notes deverá mesmo ser protetores contra surtos. Assim como os desktops estão reduzindo sua demanda de crescimento, boa parte do que se relaciona a eles também deve diminuir. A massa consumidora vai migrar para notes, smartphones, tudo que for wifi e se puder gerar entretenimento estará de bom tamanho. E ia esquecendo: não esqueça que para tudo isso funcionar é necessário novos e bons serviços. Principalmente aqueles que ajudam o consumidor e utilizar ao máximo os recursos dessas tecnologias, pois sem informação a nova compra fica adiada por mais tempo. Os novos consumidores conhecem muito pouco e é tudo uma grande e curiosa novidade.

Se você está se preparando para o natal e para 2009 reveja seu mix com foco nas novas tendências. Assim como as cartas de um baralho, os números não mentem jamais e existem muitas verdades no que eles expressam em separado ou em associação. Se o seu feeling consegue enxergar isso e apostar nas tendências,estará á frente. Caso contrário ficará naquele grupo dos que acreditam que é melhor deixar como está, para ver como é que fica. Está tudo bem? Está vendendo bem? Está enxergando novas oportunidades? Essa é a hora de mudar. Não espere pra fazer isso quando as vendas começarem a cair. Pode sair caro demais. Afinal de contas, é sempre mais fácil vender o que os clientes estão querendo comprar.

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