Cláudia Leite DESTAQUES Redescobrindo o Nordeste de Moto Tem Mulher na Estrada - Cláudia Leite 

Expedição Anonymous – Carolina (MA) – Parte 1

DE FORTALEZA A CAROLINAConheci Carolina, no Maranhão, há quatro anos quando trabalhei revisando um artigo numa revista de esportes radicais e foi amor à primeira vista! As fotos das estradas que cortam o Parque Nacional da Chapada as Mesas com suas formações rochosas que parecem mesas, cachoeiras e piscinas naturais me conquistaram de cara e fiz dessa viagem um sonho a ser realizado. Sempre que lia a respeito e logo via uma foto do Monte do Chapéu – referência do Parque, mantinha o propósito de conhecer aquele pedaço do paraíso.

DSC_3438E assim aconteceu! Formamos o grupo (meu namorado, nove amigos queridos e eu) composto em seis motos – uma Honda Gold Wing, duas HDs Fat Boy, duas BMW’s e a nossa “Negona” (Midnight Yamaha 950). Montamos o roteiro, acertamos aspectos importantes repassados por amigos que já haviam ido (mais na frente direi pra vocês!) e fechamos tudo depois de um par de reuniões show de bola, que foram uma prévia dos momentos maravilhosos que iríamos viver. Eu, claro, mal conseguia conter a ansiedade, a medida que o dia da partida se aproximava.

Viajamos mês passado, quando percorremos quase três mil quilômetros durante seis dias de pura aventura e beleza exuberante que marcaram nossas vidas, pois vivendo aquelas maravilhas ficamos mais perto de Deus, da natureza, respiramos paz, alegria e renovamos nossas energias.

Além disso, teve de tudo na estrada: calor de rachar a cabeça e desidratar até a alma, chuva torrencial com raios e relâmpagos, crateras e muito vento tirando a moto da estrada…ou seja, emoção do primeiro ao último momento!

DSC_4607Na ida, foram mil quatrocentos e trinta quilômetros com pernoite pelas BR020 e BR230, atravessando o Ceará e o Piauí sentido oeste-leste, cruzando o Maranhão até o sul do estado, na divisa com o estado do Tocantins, onde o nosso destino fica à beira do rio com o mesmo nome.

Passamos quase três dias conhecendo as belezas de lá. Na volta, outros mil e quatrocentos quilômetros, também com pernoite pelas BR 226, BR343 e BR222 (prá conhecer outros lugares, claro!). Atenção redobrada para as lombadas que não tem sinalização horizontal (somente vertical) e muitos animais às margens da estrada no Maranhão e Piauí.

Bom chega de papo e bora viajar!

Com vocês, a partir de agora, Expedição Carolina – MA 2015.

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Foto: Marcelo Lira

Dia 1 – 14/01/2015 – Saída – Cruzando a caatinga sob um calor intenso.

Dividimos o percurso em trechos de setecentos quilômetros com quatro paradas, pernoite em Floriano-PI e três paradas no dia seguinte até chegarmos ao nosso destino. Saímos às quatro e meia da manhã pela BR020 e ainda estava escuro.

Podia ouvir as batidas do meu coração se confundindo com o ronco da Negona, pois estava a caminho do paraíso com quem mais amo.

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Atravessando o Nordeste de moto

O comboio foi puxado pelo casal integrante do Anonymous Moto Grupo – AMG Marcelo (capitão de estrada) e a garupeira Germana na Gold Wind; Silvio e eu na Negona (também do AMG) e os Amigos Anonymous Alexandre e Tânia na Fat Boy seguidos pelo irmão dele, Levindo e a garupeira Ângela também numa Fat Boy; logo atrás vieram as duas BMW´s – uma pilotada por Sérgio Brito e a outra por Eric (como ferrolho) com Mylena na garupa. O dia amanheceu lindo e logo o sol apareceu mostrando que ia nos acompanhar com todo o gás! Paramos na cidade de Boa Viagem para café-da-manhã e abastecimento e, em Tauá, foi parada técnica.

Nesse momento, o calor já era intenso, ultrapassando os 38º.C: – “água de côco e água gelada para hidratar, pelo amor de Deus!” Muito vento e buracos/crateras na estrada que margeava uma paisagem com pequenos povoados; grandes campos de muita terra e vegetação secas nos acompanharam até o próximo trecho, quando cruzamos a divisa e entramos no Piauí, pegando a BR230 (Rodovia Transamazônica).

Agora a estrada era boa e conservada. Sol a pino! Paramos em Picos para almoço, onde dezenas e dezenas de fotos e vídeos já tinham sido postados e compartilhados. Passamos por Oeiras, que fica numa região de transição entre o bioma cerrado/caatinga, com a diversidade biológica típica piauiense como a carnaúba, o buriti, o juazeiro, o pequi e o jatobá. Foi o local de maior calor! Seguimos para Floriano, onde pernoitamos. Um passeio pela cidade e descansamos para o dia seguinte.

Dia 2- 15/01 – A paisagem muda. “Carolina, estamos chegando!”.

Chuva de repente
Chuva de repente

Partimos com o nascer do sol, numa manhã gostosa, com o vento ainda frio da madrugada. Entramos no Maranhão, sempre na BR230. Tomamos café em São João dos Patos, a capital dos bordados e que em meados de 1930 teve como prefeita Joana da Rocha Santos – a Dona Noca – considerada a primeira prefeita do Brasil, mulher que se tornou lenda na região, por uma visão evolutiva para seu tempo. A partir daí, as estradas passaram a ser verdadeiros e largos tapetes ladeados por campos com plantação de soja que mais pareciam um oceano a perder de vista!

Mais alguns quilômetros e plantações de milhares pés de eucaliptos surgiam como gigantescos tabuleiros de xadrez! Ali rodamos com mais velocidade, chegamos a 160 km/h e…. um pouco mais, como também pegamos a primeira chuva na estrada. Deu para refrescar e o sol reapareceu logo em seguida.

Passamos por Pastos Bons e abastecemos em São Domingos do Azeitão. A estrada é perfeita e a paisagem deslumbrante. Almoçamos em Balsas, descansamos e fizemos o último abastecimento. Próxima parada, Carolina!

Antes de seguir viagem, perguntamos ao frentista do posto sobre as chuvas. Ele avisou que elas aparecem de repente, independentemente do sol, ou seja, totalmente diferente daqui do Ceará, quando primeiro fica “bonito” prá chover e, aí sim, ela chega. No Maranhão, a chuva chega causando e rápido: trovões, raios e pronto! A essa altura, meu coração batia igual a uma bateria de escola de samba: faltavam apenas duzentos quilômetros para realizar meu sonho!

O frentista alertou sobre a chuva. Nós não acreditamos e seguimos viagem sem colocar as nossas capas. Passamos por Riachão.

Um chapéu e um monte; um monte de emoções…

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Foto: Marcelo Lira

O céu estava lindo e eram mais ou menos quatro da tarde. Pastos e plantações a perder de vista! E repente, me coração quase parou!  Depois de uma curva, lá no fim do retão o Monte do Chapéu surgiu majestoso e imponente, avisando que tínhamos entrado no Parque Nacional e que Carolina estava próxima.

Conversando com o Silvio pelo ‘scala rider’, não aguentei a emoção! Parei, contemplando aquela imagem tão nova e ao mesmo tempo tão velha, querida e conhecida!

Quatro anos pareceram quatro breves segundos! Chorei emocionada e rezei agradecida a Deus e à Nossa Senhora pela graça de viver tanta emoção e realizar meu sonho!

Estava extasiada com tudo ao meu redor, impregnada na paisagem. A felicidade era geral! Eu cantava, levantava os braços; podia ver a Germana mais à frente batendo palmas; Silvio, Marcelo e os outros pilotos buzinando. Só alegria! Tirávamos fotos e filmávamos e eis que de repente…raios cortaram os céus, trovões e muita, muita chuva! Um verdadeiro pau d’água, chuva sem vento, de “bombeiro”, como se diz! Meu “batismo” em Carolina.

Depois da emoção, o batismo de chuva

Primeira vista do Monte do Chape na estrada quase morri de emocao
Foto: Claudia Leite

Foram quarenta quilômetros sob chuva torrencial e visibilidade quase zero. Momentos tensos, adrenalina a mil, o comboio em formação serrote, com toda a sinalização necessária. Era água vindo do céu, água que batia na pista e subia contra a moto e ondas de água jogada em nós pelos ônibus e caminhões que vinham em sentido contrário. Andávamos devagar na trilha deixada pela moto da frente no mar no qual a estrada se transformou.

A chuva diminuiu de intensidade quando entramos no perímetro urbano de Carolina e seguimos para o posto na primeira rotatória da cidade. Chegamos por volta de cinco e meia da tarde encharcados, uns menos e outros até ‘os ossos’, pois alguns estavam com jaquetas e calças impermeáveis, mas todos sem capa de chuva.

A alegria era contagiante!  Esperamos pra ver se a chuva diminuía. Mais fotos e vídeos, pois o momento era histórico! Uma bebida quente e algo pra comer ainda no posto. A chuva deu uma pequena trégua e seguimos para o hotel fazenda não muito longe dali. O local lindo e aconchegante. Devidamente instalados, roupas limpas e alimentados, combinamos os roteiros com o Guia Local Walter Abelha, um bom amigo que fizemos e inclusive indicamos. Fomos dormir com o compromisso de acordar cedo pra aproveitar tudo. Apesar de cansada, custei a “pregar o olho”. Queria que o tempo parasse. Afinal, estava em Carolina!

Continua na próxima semana… No próximo episódio Claudinha e os Anonymous mergulham na natureza em busca das belezas de Carolina com fotos e videos cada vez mais show!!!!.

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