As Clássicas do Otoch! DESTAQUES 

As clássicas do Otoch: CB750 – A moto que mudou o mundo

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A famosa e lendária ‘Sete Galo’

Logo que recebi o convite para escrever sobre motos clássicas fiquei com uma dúvida que não me saiu da cabeça durante a noite toda: qual moto merece ser a primeira? Apaixonado por pesquisar sobre a história deste meio de transporte tão passional, eu tenho não algumas, mas muitas e muitas “preferidas” que poderiam figurar estas próximas linhas com a mesma importância para mim. Não sou do tipo que defende ou ataca marcas. Costumo dizer que, se tiver duas rodas e um motor no meio, com certeza é divertida!

Então nada mais justo do que “começar do começo” e falar sobre a primeira moto com a qual tive contato na vida: a lendária Honda CB750! Em 1981, quando eu tinha um ano de idade, meu tio Fahad foi morar nos Estados Unidos e deixou sua CB750 ano 1973 com o meu pai aqui no Brasil. Eu não cheguei a andar nela porque ele só ficou dois anos com esta moto, mas o som dos seus quatro cilindros em linha entrou direto no meu coração! Tanto que já nas minhas primeiras bicicletas, eu fazia um furo numa tampa de margarina, fixava ela num parafuso central do freio pra que ela ficasse encostando nos biscoitos do pneu traseiro pra simular o ronco de uma “Four”! Acabava com o pneu da bike, mas a emoção do som valia à pena!

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Eu com um ano montado na CB750

 

Bom, agora chega de falar de mim e vamos ao que interessa! Nos anos 60 os modelos mais usados pelos amantes da velocidade eram as inglesas BSA, Norton, Triumph, e outras mais.  Era uma época em que apesar de ser uma febre no mundo todo, as motos ainda não possuíam motores tão confiáveis. Elas não faziam feio nos autódromos e corridas de rua, mas ainda necessitavam de constantes ajustes e sempre vazavam óleo por todos os cantos do motor, independente da marca. Nessa época, as fabricantes japonesas já começavam a ganhar mercado, mas ainda não tinha uma motocicleta realmente expressiva que fosse produzida em massa. As marcas participavam de campeonatos com seus protótipos, mas só comercializavam motos de passeio. Mas ninguém imaginava que a jovem marca do Sr. Soichiro, conhecida mundialmente por uma “cinquentinha” (a sua Cub 50cc que ganhou o mundo em 1958), estaria prestes a mudar o mundo das duas rodas para sempre.

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Em 1969 a Honda apresenta a primeira motocicleta de quatro cilindros transversais do mundo a ser fabricada em massa! Antes conhecida apenas por suas motos a preços acessíveis e práticas para o dia a dia, a Honda agora passa a ser referência em tecnologia. As líderes Harley-Davidson, BSA e Triumph agora não passam de motos obsoletas. Além do inédito motor de quatro cilindros, a primeira “supermoto” da história vem de fábrica equipada com comando de válvulas no cabeçote, cinco marchas, partida elétrica e pra segurar seus 67cv de potência (que alcançavam 201 km/h), e marca japonesa inova também no sistema de freios e equipa a grande CB com freio dianteiro a disco, o que também nunca havia sido feito em uma moto de série! Lançada primeiramente no mercado norte americano, o ronco de seus quatro imponentes escapamentos cromados soava como uma verdadeira orquestra que logo conquistou todo o planeta! Ah, e como se não fosse o suficiente, isso tudo sem vazar óleo! A partir de então o mercado passa a ter novos padrões de potência, confiança e sofisticação, que logo serão seguidos por todas as fabricantes que pretendem se manter vivas!

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Meu pai garotão posando com a “Sete Galo”

 

Os brasileiros também foram contaminados pela imponente máquina japonesa, tanto que lhe rebatizaram com um nome tupiniquim: “Sete Galo”! Alguém já me contou que “Sete Galo” seria a CBX 750 “porque sua carenagem lhe remeteria a um galo de briga”. Mas não é bem assim. O termo “Sete Galo” vem do gosto dos brasileiros naquela época pelo jogo do bicho, onde o número 50 é referente ao galo. Japonesa, feita para o mercado estadunidense, mas que virou uma paixão brasileira! Apesar de seus 46 anos, até hoje esta moto é muito apreciada por colecionadores que a admiram toda original, assim como por customizadores que a transformam em choppers ou cafe racers . “Cafe” sem acento mesmo! Em breve explicarei melhor essa história, porque isso já é assunto para os próximos textos!

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