CARREIRA: O que Bill, Paul e Susan podem nos ensinar?

No artigo anterior eu havia dito que encerraria a série sobre carreira, mas parece que alguém lá em cima ou em outro plano quer que eu continue. Toda semana quando chega o sábado eu fico pensando sobre o que escrever. O que dizer aos milhares de leitores e milhões de visitantes do FPCs que possa ajudar de alguma forma no trabalho, na carreira; enfim -alguma coisa eu que possa por em prática o prazer em servir? Na grande maioria das vezes surgem várias idéias que são jogadas fora por não passarem no teste das três peneiras. Mas algo sempre me diz-“paciência e persistência, Sucupira.” E eu espero e ela vem. Por isso, desejava encerrar o tema ‘carreira’ no artigo anterior, mas caro leitor, me desculpe: algo pedia para escrever mais este texto.

Eu quero tratar de um sentimento que a maioria de nós tem e que se prolifera e descortina na hora que se choca com nossos conceitos. Quando tomo conhecimento da vida de pessoas as quais nunca ninguém deu nada por elas, percebo que é sempre importante render-me ao talento que com simplicidade e aparente limitações chegam quebrando mais um preconceito.

O que tem a ver com você a história de Paul Pott, Bill Porter e Susan Boyle?

Independente da leitura que faça delas, você já passou por isso na sua vida, pode vir a passar ou está vivendo agora na sua carreira. Vamos às suas histórias.

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Comecemos por Bill Porter. Bill era um órfão de pai e possuía paralisia cerebral provocada por parto a fórceps. Tinha dificuldade de falar e de andar. O sonho de Bill era ser vendedor, como seu pai fora um dia. Mas, quem daria emprego a um homem que tinha dificuldades para falar e para andar? Quem daria a este homem o emprego de vendedor? Pois é, Bill conseguiu. Numa entrevista para conseguir uma vaga de vendedor da empresa Watkins (que ainda existe) o senhor Hernandes, CEO, ouviu de Bill o seguinte: -“Me dê a pior rota… a rota que ninguém quer… se eu conseguir o senhor será o herói. Não tem nada a perder.” O senhor Hernandes não queria dar o emprego pois Bill era “aleijado”. Porém mudou de idéia e resolveu dar uma chance a Bill. Anos mais tarde, em novembro de 1989, para a surpresa do novo administrador da Watkins, senhor Peter, um jovem preconceituoso que de cara teve que rever seus conceitos, Bill Porter ganhava o prêmio de “Vendedor do Ano da Watkins”. Em meio às palmas dos colegas, o senhor Peter teve que reconhecer que algo nele estava errado, não em Bill. No discurso, Bill lembrou o que a sua mãe havia dito quando ele foi para a sua entrevista na Watkins. Ela disse que as pessoas iriam demorar a serem simpáticas com ele, que não se envergonhasse e que tivesse paciência e persistência. Bill, no seu discurso, destacou: “Adoro ser vendedor!”

Mas a história dele não pára por ai. O que fez Bill famoso não foi o resultado de melhor vendedor, mas foi um cliente. A figura de Bill quando se apresentava na porta das casas assustava algumas pessoas. Na sua primeira visita um garoto olhou pra ele e saiu correndo com medo. Com o tempo este garoto foi se acostumando com Bill e um dia virou o jornalista Wallace do Portland Daily News e resolveu contar a história dele, mas Bill não queria e recusou-se. Mesmo assim a matéria foi publicada e nela Wallace foi muito feliz ao dizer que Bill representava “o fio invisível que unia a comunidade daquela vizinhança.” A tradição dos vendedores de porta-em-porta estava anunciada como morta quando os call centers começaram a tomar conta. Depois da publicação da história da vida de Bill isso mudou. A Avon e outras marcas decidiram continuar apostando nesta forma de vender, inclusive eu, que acredito que relacionamento é tudo numa venda. E foi Bill Porter, um cara estranho, de andar engraçado, com mala e chapéu que ensinou que numa venda existe muito mais que um negócio.

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Paul Pott era um vendedor de celular no sul de Gales, Inglaterra, que tinha problemas com sua autoconfiança, mas que desejava ser cantor de ópera. Paul apresentou-se no maior programa de calouros da Inglaterra. Quando respondeu a pergunta sobre o que veio fazer ali, Paul disse-“Cantar ópera!”. A firmeza da resposta soou aos ouvidos que acreditavam privilegiados pela aparência como arrogância. Mas foi só abrir a voz cantando Nessun Dorma (Ninguém Durma) que Paul revelou o seu segredo e todo o seu talento fazendo os jurados se emocionarem e uma em particular chegou a chorar. Aplaudido de pé Paul representava naquele momento o que a música que cantou dizia: ” O meu segredo permanece guardado dentro de mim… Ninguém saberá meu nome. Sumam ó estrelas. Desapareça ó noite, na alvorada vencerei”. Em um italiano perfeito para quem fala inglês, o segredo de Paul Pott, um vendedor de celular desajeitado e desalinhado para nossos padrões, acabava de ser revelado, deixando os juradosmaravilhados e com cara de bobos diante de uma voz inacreditavelmente bela. Paul ganhou o concurso cantando Nessun Dorma e ficou famoso. Sua popularidade cresceu com a divulgação da sua participação no concurso através do vídeo publicado na web. Paul foi o vencedor daquele ano do prêmio “Britain´s got Talent”.

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Por último, o xodó da internet na atualidade, Susan Boyle vista por mais de cem milhões de pessoas no mundo todo. No mesmo concurso de calouros Susan, uma camponesa da Escócia, residente no villarejo West Lothian deu novamente outra lição aos mesmos jurados, que pelo jeito, não haviam aprendido com Paul Pott. Aos 47 anos, solteira, desempregada, fora dos padrões de beleza e que nunca foi beijada ela, Susan, queria uma chance para mostrar seu talento. Imagine você: aos 47 anos muitos estão sendo obrigados a começar a pensar em pendurar chuteiras e são taxados de velhos para o mercado de trabalho. Agora, o que diria você de uma escocesa, campesina, desarranjada, simples, com ar de ingenuidade e traços de mentalidade infantil, se esta pessoa se apresentasse a você e dissesse que além de desejar ser cantora profissional, queria ser como Elaine Paige? No mínimo acharia que ela surtou, para não imaginar arrogância. Mas Susan tinha sonhado um sonho (I Dreamed a Dream) que se desenhava na letra da música do filme e da peça teatral “Les Misérables”. Tanto Paul como Susan parecem ter escolhido as músicas que falavam de seus desejos mais íntimos, mais escondidos. Dos sonhos mais sonhados e esperados, desfeitos e refeitos várias vezes, mas sempre persistentes e pacientes; atentos ao momento no qual este fio invisível deixaria os espertos como bobos e eles rindo de nós como se já soubessem a tamanha lição que iriam nos dar. Agora, quem são os miseráveis? Na letra, belíssima, um trecho nos dá um alerta com contornos de lição quando diz que “os tigres vem à noite. Com sua voz suave como um trovão. Como eles despedaçam a sua esperança, transformando seus sonhos em vergonha… Eu tive um sonho que minha vida seria diferente deste inferno que estou vivendo…” E foi, Susan. E foi! Você prometeu nos fazer vibrar e fez mais que isso! O sonho sonhado por Susan, naquele momento, era a mais incrível realidade, a realidade de múltiplas lições que nós só aprendemos com a simplicidade. O jornal britânico “The guardian” resumiu, com uma frase, o sentimento de todos nós, nesse instante em que o planeta está precisando de talento e simplicidade: “Susan Boyle é feia? Ou somos nós?”

Benjamin Disraeli-1804 a 1881-destacava que em sociedade nada deve ser discutido: dê apenas resultados. Dê apenas exemplos. Parece que Bill Porter, Paul Pott e Susan Boyle vieram para nos mostrar que nas nossas carreiras o grande momento ainda não chegou e que este grande momento é tecido por nós, pelos nossos talentos fazendo aquilo que gostamos e tentando, com paciência e persistência, conseguir fazer coisas que ninguém acreditaria que fôssemos capazes.

Objetivo de vida e realização pessoal. Muitos criticaram o jogador de futebol Adriano por ‘dar um tempo’ na sua profissão. Eu vi coragem no ato dele e não loucura. Louco ele iria acabar ao manter-se infeliz. Adriano buscou o fio invisível e para isso precisava reencontrar-se. Coragem, persistência e paciência. Parafraseando o Dalai Lama eu digo também que passamos a vida gastando nossa saúde e renunciando a nossa felicidade para ter dinheiro. No final da vida gastamos muito dinheiro tentando recuperar nossa saúde e resgatar a felicidade que deixamos no passado. É possível ganhar dinheiro (nada mais que justo, não é?) realizar-se na carreira sem destruir a saúde e sem renunciar a felicidade, mas para isso é necessário rever conceitos e despir-nos dos nossos preconceitos que turvam a nossa visão e nos impedem de enxergar o que verdadeiramente nos realiza.

Todos nós nascemos gênios e até os 10 anos ficamos assim até que a nossa genialidade se esvai quando passamos a ser limitados pela educação que recebemos, quando nos dizem que é impossível ou não dá certo; quando nos impõem os limites dos outros e nos ensinam a ter preconceitos.

Susan, Bill e Paul nos ensinam a rever nossos pré-conceitos (nesta grafia mesmo), a ter uma visão do outro e a entender que não é nosso julgamento que basta para dizer da capacidade de alguém, mas os resultados que ela pode nos dar dentro dos talentos que cada um com certeza possui, independente das muitas limitações que todos temos. Eles nos ensinam a não incorrermos em preconceito e a não limitarmos a capacidade do outro às nossas quase sempre falsas verdades absolutas.

Para ver mais:

De Porta em porta- Trecho do filme sobre a vida de Bill

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