A Geração Conectada chega aos 25 anos.

Muitos usuários do Fórum PCs estarão chegando à casa dos 25 anos em 2010 e esta nova geração que nasceu com o ‘mouse na mão’ e foi filmada ainda na barriga da mãe fazendo gracinhas é totalmente diferente de tudo o que já apareceu neste mundo. O Paulo Couto e a Cláudia lançaram a idéia e eu, que nem gosto dessas pautas, adorei.

A Geração Conectada em tempo real é incrível. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) traçaram o perfil no estudo suplementar de 2005, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que já mostrava que geração estava a caminho. De acordo com o levantamento, o grupo etário que mais acessava a internet da escola, de casa ou do trabalho, se situava entre os 15 e 17 anos de idade – 33,9% acessou a rede em 2005. Entre os que tinham 18 e 19 anos, 32,9% acessavam a internet. Já na faixa de 20 a 24 anos, o percentual era de 31,1%. O uso da internet, na época, caía na medida em que aumentava a faixa etária a partir dos 15 anos, atingindo apenas 7,3% da população com 50 anos ou mais de idade. A utilização da rede também era maior entre as pessoas mais instruídas. Entre os seus usuários, a média de anos de estudo era de 10,7 anos, enquanto entre as pessoas que não utilizavam a rede a média correspondeu a 5,6 anos de estudo.

Ainda segundo a pesquisa, quanto maior o nível de instrução, maior era a proporção de uso da internet.Enquanto apenas 2,5% das pessoas sem instrução ou com até quatro anos de estudo acessaram a rede, o percentual subia para 76,2% entre os que estudaram 15 anos ou mais.

No total da população com 10 anos ou mais de idade no Brasil, 21% utilizaram a internet em 2005, o equivalente a 32,1 milhões de pessoas. A pesquisa mostrou ainda que, em 2005, a educação foi a finalidade mais citada para o uso da rede, com 71,7% das respostas, seguida pela comunicação com outras pessoas (68,6%), atividades de lazer (54,3%) e leitura de jornais e revistas (46,9%). Os números não mudaram muito e, ano após ano, migram cada vez mais para uma geração conectada em tempo real. Tal evidência colocou o Brasil como campeão absoluto em horas navegadas na internet.

Se a gente traçar um paralelo entre a geração que hoje toma conta do Fórum PCs e que se mistura com outra geração mais antiga ou até mais nova, teremos algumas surpresas interessantes. Primeiro: o que um sujeito (homem ou mulher) que tem entre 15 e 25 anos hoje NÃO viveu?Vamos tomar como referência um jovem de 25 anos. Ele nasceu em 1985, e foi “criança” até 1995 mais ou menos. Não foi ao primeiro rock in rio e nem ao segundo. Não viu a Copa do Mundo de 1982 (não perdeu nada), mas viu os adultos comemorarem o Brasil Tetra aos berros de Galvão Bueno. Não usou fax-modem e muitos nem sabem como era aquele barulhinho. Esta nova geração não viveu um mundo sem celulares-onde as mães ligavam para os vizinhos atrás dos filhos ou gritavam por eles na rua para voltarem para casa. Nunca usou um 486 ou um DOS, e provavelmente nem chegou perto de um Windows 95. Esta geração não faz idéia do que era um OS/2 da IBM e, sobre os ‘cara-pintadas’ que foram as ruas para tirar o Collor da presidência, só conhecem por fotos ou quando alguém mais velho conta como foi. Esta geração só viu dois presidentes governarem o Brasil (FHC e LULA, oito anos cada) e riu bastante quando assistiu a filmes antigos com efeitos especiais que hoje parecem medíocres se comparados a AVATAR. Mas lotaram as salas para assistir o Titanic afundar!

A Geração Conectada não viu o Brasil chorar a morte de Tancredo Neves e a cidade de São Paulo ganhar o que se transformaria em seu maior aeroporto, Cumbica. Também nunca soube que gasolina não podia ser vendida no fim-de-semana, pois os postos estavam fechados. O fim do problema veio com o decreto presidencial que liberou o funcionamento dos postos de gasolina aos domingos e feriados nacionais e que estava proibido desde 1977. Na realidade era o aumento da gasolina que fazia tudo subir de preço.

Em 1994 com o real em circulação e a hiperinflação domada, os brasileiros abandonaram as calculadoras que calculavam o indexador URV e finalmente puderam analisar o que estava caro e o que estava barato nas prateleiras. Em julho de 1994, a cidade de São Paulo parou para ver a seleção brasileira conquistar o tetracampeonato mundial. O time comemorou a vitória sobre os italianos com uma homenagem ao piloto Ayrton Senna, morto dois meses antes no Autódromo de Imola. Em outubro, Fernando Henrique Cardoso vencia as eleições presidenciais com 54,3% dos votos válidos e oito anos depois era a vez de Lula chegar à presidência. A Avenida Paulista ganhou seu primeiro telão luminoso que tinha 28 mil lâmpadas e uma Lei previa multa para proprietários de celulares e bips (bips e pagers nem existem mais) que tocassem em teatros, cinemas, casas de espetáculos, hospitais, repartições públicas municipais e velórios. Não se conhece, até hoje, alguém que tenha sido autuado.

Até 1994 mulheres grávidas pegaram fila e a CET (São Paulo) começava a usar manequins com uniforme de ‘marronzinho’ para inibir os motoristas apressados. Esta nova geração entendia musica baiana como axé e não faz idéia de quem foi Dorival Caymmi, Chacrinha (e as suas peladas chacretes). Muito menos imaginava o que acontecia em um mundo onde ainda existia o Muro de Berlim, a Guerra-Fria, a ditadura e anistia, e não viveu o boom do rock nacional (Blitz, Legião Urbana, Barão Vermelho e tantos outros).

É. Eles não viram. Mas estão vendo outras coisas agora. O mundo que se descortina nesta Geração Conectada trouxe o Google, Orkut, MSN, YouTube, consoles e os jogos on-line, notebooks, netbooks, palms, blackberrys e iPhones. Chegaram o DVD, o Blu-Ray, o MP3, MP4, MP5. Veio a banda larga e o wifi. Tudo mudou rapidamente e nem dava tempo para ter saudade.

Hoje a Geração Conectada tem toda a informação disponível a um clique. Antes era necessário ir a uma biblioteca ou assinar um monte de revistas. Deixar sua opinião em fóruns era ainda um sonho próximo em 1994 e bem mais distante em 1985.Para ser bom e legal precisa ser eletrônico, digital e conectável. É tanta tecnologia e tanta coisa nova que poucos se deram conta do fim das máquinas fotográficas a película, substituídas pelas digitais. Esta geração que não usa telefone fixo ajudou a popularizar o celular (que virou um computador que também faz e recebe ligações) que sentenciou os fixos à morte. Os HDs que nem são tão velhos assim estão cada vez menores e com maior capacidade de armazenar dados. Os pendrives, que nasceram há menos de 10 anos mal chegaram a infância e já migram para uma tecnologia que deve substituir os HDs – os SSDs. Para quem não lembra o USB flash drive da IBM chegou em 15 de dezembro de 2000 e tinha uma capacidade de armazenamento de 8 MB, mais de cinco vezes a capacidade do extinto disquete. Em 2000 a IBM introduziu um Lexar Compact Flash (CF) cartão com uma conexão USB, e um companheiro cartão leitura/escritor e cabo USB que eliminou a necessidade de um hub USB. Em 2009, a Kingston lançou um pendrive com capacidade de 256 GB, o Kingston 300, a maior até aquele ano com as seguintes dimensões 70,68 mm x 22,37 mm x 16,45 mm, leitura a 20 MBps e gravação a 10 MBps. Vieram ainda o LCD, o Plasma e o LED.

O aumento do número de mulheres internautas e que gastam na internet representavam apenas 4% dos usuários em 1997 e agora passam dos 45%, segundo o IBOPE. Além das mulheres os jovens entre dez e 18 anos representam 33% dos usuários, enquanto que os mais velhos, acima de 40 anos, se encarregam de uma fatia de 18% dos usuários da web. Ainda assim representam o segmento mais qualificado da população, porém isto também está mudando. O acesso feito por pessoas que possuem apenas o nível primário já chega a 7% do total e as que possuem nível superior ou segundo grau completo representam 38% cada. As lanhouses nascidas nestes dez anos e filhas dos cybercafés se tornaram o local mais utilizado para o acesso à internet no país, segundo relatório divulgado pelo CGI (Comitê Gestor da Internet) em 2008. O uso de centros públicos de acesso pago saltou de 30% em 2006 para 49% em 2007, passando à frente do domiciliar, que se manteve estável em 40%.

Esta nova geração sai da casa dos pais mais tarde, adoram shoppings centers, academias, esportes radicais, baladas, casam mais tarde ou nem se casam-vão morar juntos. Usam a web para pesquisar preços, adoram fast-food e dormem tarde e acordam cedo (com as devidas exceções daqueles que dormem muito tarde e acordam mais tarde ainda).A maioria deseja morar só e tem melhor escolaridade. Aprendem rápido e esquecem mais rápido ainda os últimos 5 anos por conta da velocidade de lançamento das novas tecnologias. Para eles tradição e museu é quase a mesma coisa e o ‘pai do amigo’ é chamado de TIO ou Tiozinho-caso este no qual me incluo! Os jovens desta geração não erram, vacilam-e pessoas desconectadas recebem o nome de ‘Manés’.

Enfim, esta nova geração daqui a vinte anos, terá hoje a minha idade e eu gostaria muito de, nessa época, ler uma coluna de alguém que retratasse os avanços vividos pela Geração Conectada e talvez uma possível evolução para quem sabe, uma Geração Chipada ou algo parecido. Enquanto esse tempo não chega vou dar uma volta no passado e ouvir ‘Carmen’ uma ópera produzida em 1875, por Bizet, sua última e mais famosa obra, sendo até hoje uma das mais representadas em todo o mundo. Vale a pena ouvir. Daqui a 20 anos não serei mais um ‘tiozinho’ e deverão me chamar de ‘vozão’, ‘vô’ ou coisa parecida; ou então, se eu for muito chato-de ‘velho gagá’. Uma coisa é certa-chato ou não eu vou ter muita história para contar.

Related posts

0 Thoughts to “A Geração Conectada chega aos 25 anos.”

Leave a Comment