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YAMAHA N-MAX: TESTE COMPLETO

A chegada do Yamaha N-Max traduz um momento de amadurecimento do mercado brasileiro no segmento de scooter. Demorou muito, mas o consumidor brasileiro passou a ver estes pequenos e práticos veículos de duas rodas como uma real opção de transporte urbano a partir de 2001 e na última década a indústria percebeu este movimento e tem apresentado opções. Yamaha-NMax_Destaque2

Quem percebeu isso primeiro foi a Suzuki, com o Burgman de 125 cc que liderou as vendas do segmento até a chegada do Honda Lead. Depois veio a Dafra e agora a Yamaha entra na briga com o N-Max, mais novo integrante desse promissor segmento do mercado que chega em condições reais de disputar o mesmo espaço por onde navega o líder absoluto, Honda PCX, e que tem ainda o Dafra Cityclass 200i como coadjuvante e agora o Dafra Fiddle III, todos na faixa dos 150 a 200 cc.

História

Mas nem sempre foi assim e a concorrência é algo recente neste segmento. No Brasil scooter era chamado de “lambretinha”. Para muitos eram considerados brinquedos, mas haviam os utilitários também, que eram aquelas surradas Vespas e Lambretas – sim, com letras maiúsculas porque eram esses os nomes das marcas e pelos quais ficaram conhecidos os veículos – que eram adequados a trabalhos como entrega de pão, tintureiro (lembra disso??) encanadores e eletricistas.

Esses vieram na década de 1960 e além do uso profissional, poucos os usavam com transporte urbano. Veículo de duas rodas ainda era coisa de “playboy”, filho de famílias ricas que se davam ao luxo de ter um brinquedão caro, a exemplo do que ocorreria anos mais tarde com os que puderam comprar as primeiras motocicletas de marcas japonesas que chegaram por aqui importadas. Só a partir de 1980 chegaram os pequenos scooter, parecidos com os que temos hoje, mas ainda considerados brinquedos em função do motorzinho 2 tempos de 50 cc, porte diminuto e visual moderno, como o do desenho “Os Jetsons”, série que fez muito sucesso na TV.

Primeiro veio o Suzuki AE 50, seguido da própria Yamaha com os seus Jog, Axis e mais adiante o BW’s, todos com motor 2 tempos. A tentativa foi reproduzir aqui o que já ocorria na Ásia, cuja semelhança de trânsito urbano caótico e quase completa ausência de bom transporte coletivo estimulava o uso de scooters, mas isso não aconteceu e nenhum desses fez muito sucesso como veículo urbano.

Hoje o segmento mostra maturidade com consumidores exigentes e que desejam usar um scooter, mas querem opções tanto em tamanho quanto em desempenho. Acredite, há muitas pessoas que são apenas “scooteristas”, ou seja, não se sentem à vontade pilotando uma motocicleta, onde é exigido trocar marcha, frear com pé e mão e pilotar montado. A facilidade do scooter com sua pilotagem simples – acelerar e frear -, na posição sentada, com amplo espaço disponível para levar coisas, muitas coisas, é um grande apelo para muitos consumidores eminentemente de curtos e médios trajetos urbanos. Talvez até já esteja na hora de ser instituída a categoria dos “scooteristas” no momento da habilitação. Pois é na esteira desse cenário positivo que chega o Yamaha N-Max. E já chega atrasado.

Cores disponíveis

Cores disponíveis

A Yamaha já havia ameaçado sua reentrada no segmento com o X-Max, um scooter maior, com motor de 250 cc, mas ficou inviabilizado provavelmente pelo alto preço que o produto teria. Mas com o N-Max não é assim. O novo scooter da Yamaha tem preço e características precisamente pensadas para chocar-se com o concorrente da Honda e fazer o consumidor pensar, pensar muito antes de decidir.

Quando a Yamaha apresentou o N-Max em março passado em circuito fechado e com asfalto perfeito, ficou a dúvida sobre o comportamento do scooter em ruas e avenidas esburacadas em meio ao trânsito pesado. Claro, o local e o tempo indicavam prudência antes de se concluir qualquer coisa. Naquela ocasião o melhor indicador que se pode tirar foi o bom desempenho do motor, que oferecia muita força nas arrancadas e retomadas de velocidade, além do baixo nível de vibração. E isso realmente se confirmou nas ruas, no uso intenso no trânsito urbano, em pequenos trechos de rodovias e também em condições adversas de clima, num trecho com muita chuva e pouca visibilidade.

Tudo novo no motor

A Yamaha destacou as qualidades desse novo motor e nós as comprovamos na prática. Trata-se de um propulsor de um cilindro com 160 cc de capacidade cúbica, com quatro válvulas, arrefecimento líquido, que desenvolve potência de 15,1 cv a 8.000 rpm e torque máximo de 1,47 kgf a 6.000 rpm. Ele pertence a uma nova geração de propulsores da Yamaha, mais compactos e eficientes, para os quais a engenharia da Yamaha concentrou-se em reduzir as perdas de potência e na diminuição de peso total, com soluções inovadoras, como o radiador de água na lateral para um melhor controle na temperatura do motor e da câmara de combustão, ganhando eficiência na queima e melhorando o torque e a potência. Um detalhe que outros motores já utilizam é a aproximação do bico injetor de combustível com a válvula de admissão, o que melhora a homogeneização da mistura ar/combustível com uma queima mais rápida.

Motor se destaca pela força, agilidade e economia de combustível

Motor se destaca pela força, agilidade e economia de combustível

Outra solução inovadora é o inédito sistema batizado de VVA (Variable Valve Actuation – Abertura de Válvulas Variável), que colabora decisivamente para empurrar a moto mais rápido até alcançar a potência máxima e oferecer mais economia de combustível. Nosso teste confirmou as duas características. Além da força e agilidade do motor, o consumo de combustível (só gasolina) é de fato muito bom. Rodamos  567,1 km e gastamos 15,31 litros de gasolina, uma média de 37,04 km/litro. A pior marca foi feita em rodovia com aceleração quase total, quando o N-Max fez 35,23 km/litro e a melhor ficou para um longo trecho urbano em São Paulo, quando alcançamos a marca de 38,41 km/litro. O tanque tem capacidade para 6,6 litros (1,4 litro na reserva), o que oferece autonomia de mais de 200 km.

O sistema VVA determina o momento que as válvulas abrem e fecham, o quanto abrem e o tempo que permanecem abertas. O que ocorre normalmente é que o comando de válvulas prioriza potência em altas rotações ou o torque em baixas rotações e neste caso do N-Max, o sistema VVA comanda a abertura e fechamento das válvulas de forma variável conforme a rotação e a carga sobre o motor, tudo controlado através de uma unidade eletrônica. Outra característica deste motor é a mesma utilizada nos motores da família MT e na YZF-R3, onde o centro do cilindro é deslocado para diminuir as perdas por atrito entre o pistão e a parede do cilindro, além da tecnologia DiASil (Die cast Aluminum silicon) no cilindro, que melhora a dissipação de calor gerado pela queima da mistura ar/combustível por causa do uso de uma liga de alumínio com 20% de silício no cilindro, deixando o componente mais leve e com melhor capacidade de dissipação térmica.

N-Max, um clássico

Linhas esportivas, rodas maiores com pneus largos e porte avantajado

Linhas esportivas, rodas maiores com pneus largos e porte avantajado

No uso diário, o N-Max mostra toda a praticidade, característica desse tipo de veículo. O espaço sob o banco surpreende porque aparentemente cabe apenas um capacete, mas outros objetos grandes cabem ali, como uma mochila com notebook, por exemplo. E ainda é possível colocar também outros pequenos objetos, como uma bolsa pequena ou uma pasta de documentos. Há ainda espaço embutido na carenagem, que na verdade é apenas aquele espaço tradicional de outros modelos de scooter, só que sem tampa. Do lado esquerdo cabe uma garrafa com água e do lado direito um celular, por exemplo.

A posição de pilotar é muito confortável e, apesar de não haver a plataforma “flat”, o espaço para os pés é bom e permite alguma movimentação dos pés para a frente. O banco é largo e oferece bom apoio para piloto e garupa. Há uma peça única que envolve o espaço do garupa no banco, formando ao mesmo tempo duas alças laterais e um pequeno espaço para apoio e amarração de alguma bagagem. Eventualmente, pode ser colocado um bauleto para aumentar a facilidade de levar carga.

Outro destaque do Yamaha N-Max é o bonito desenho da parte frontal, com o farol em LEDs e de luz branca, aliás, muito eficiente para o uso noturno. O design do N-Max segue o padrão da família “Max”, que procura juntar a praticidade e conforto para uso urbano com alguma esportividade. É curioso notar que nos corredores o scooter chama a atenção dos motoristas, que abrem as janelas para perguntar qual o tamanho do motor. Um claro sinal de que muitos já não aguentam mais ficar parados no trânsito.

Onde outros trazem um espaço fechado com chave, o N-Max tem espaço para uma garrafa e um celular, por exemplo

Onde outros trazem um espaço fechado com chave, o N-Max tem espaço para uma garrafa e um celular, por exemplo

Aquela velha conhecida (e característica) instabilidade em velocidade mais alta e nas curvas que todo scooter apresenta está bem minimizada no N-Max. Colaboram para isso um bom trabalho realizado na construção do chassi, que tem uma estrutura tubular em formato delta na parte superior e um tubo central que auxilia na distribuição das forças e dá equilíbrio junto com as rodas maiores de 13″, que ajudam muito para esse bom comportamento. O motor é acoplado ao chassi por um link com coxins de borracha, o que explica o baixo nível de vibrações. Na condução diária, a sensação é que se está conduzindo um scooter menor e mais leve, pois o N-Max oferece completa obediência e respostas rápidas a qualquer comando do piloto.

Bom espaço sob o assento: mais que apenas um capacete

Bom espaço sob o assento: mais que apenas um capacete

Freios ABS

A Yamaha acerta ao equipar o seu novo scooter com freios ABS de série. Se considerarmos que a frenagem em scooter é mais equilibrada em função da distribuição igual de peso para as duas rodas (lembre-se que o motor está todo apoiado e movimentando-se com a suspensão traseira) e também que o acionamento dos dois freios está nos manetes, fica evidente que as frenagens de emergência no N-Max são muito mais seguras com o ABS. E o dimensionamento correto dos dois discos (dianteiro e traseiro) dão conta de forma exemplar na função de parar o N-Max, principalmente nas frenagens mais fortes.

Falar de suspensões em scooter é sempre crítico, porque essa é a característica destes componentes nesse tipo de veículo: pequeno curso, muita rigidez e pouca progressividade. Apesar dessas características também fazerem parte das suspensões do novo scooter da Yamaha, a engenharia soube compensar com a maciez e largura do banco. E elas seguem o padrão para a categoria – garfo telescópico na dianteira (curso de 100 mm) e dois amortecedores na traseira (90 mm) sem ajuste.

Por fim, mais um destaque positivo para o painel de instrumentos do N-Max. Com o mostrador principal em LCD com retro iluminação em LED, o componente tem acabamento especial da lente que elimina reflexos. Nele podem ser conferidos: velocidade, informações do computador de bordo, indicador de pilotagem econômica ECO, consumo instantâneo, nível de combustível, dois hodômetros parciais, relógio, indicador de troca do óleo lubrificante e da troca da correia do sistema CVT.

Apresentado em três versões de cores – cinza fosco, vermelho perolizado e branco perolizado, o N-Max está disponível na rede de concessionárias Yamaha por R$ 11.363,00 (tabela FIPE, 2/6/2016).

Ficha Técnica Yamaha N-Max

Motor

Tipo Um cilindro, 4 tempos, SOHC, 4 válvulas, arrefecimento a líquido
Diâmetro x Curso 58,0 x 58,7 mm
Alimentação Injeção eletrônica
Combustível Gasolina
Taxa de Compressão 10,5 : 1
Capacidade Cúbica 155,09 cm³
Potência máxima 15,1 cv a 8.000 rpm
Torque máximo 1,469 kgf.m a 6.000 rpm
Bateria 12V – 6 Ah
Sistema de Ignição TCI (Transistor Controlled Ignition)
Capacidade do Cárter 1 litro
Sistema de lubrificação Cárter úmido
Partida Elétrica

Transmissão

Embreagem Seca, sapata centrífuga
Cambio Automático, tipo CVT
Transmissão final Por correia em V

Chassi

Tipo Underbone em tubos de aço
Dimensões (C x L x A) 1.955 x 740 x 1.115 mm
Rake 26º
Trail 92 mm
Altura do assento 765 mm
Raio mínimo de giro 2.000 mm
Distância entre eixos 1.350 mm
Vão livre do solo 135 mm
Tanque de combustível 6,6 litros (1,4 reserva)
Peso seco 120 kg

Suspensões, rodas e freios

Suspensão dianteira Garfo telescópico, curso de 100 mm na roda
Suspensão traseira Dois amortecedores, curso de 90 mm na roda
Pneu dianteiro 110/70-13M/C 48P
Pneu traseiro 130/70-13M/C 63P
Freio dianteiro Disco simples de 230 mm, acionamento hidráulico c/ ABS
Freio traseiro Disco simples de 230 mm, acionamento hidráulico c/ ABS

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