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A História da Yamaha – Música sobre duas rodas.

A filosofia do Canto também em motocicletas.

A Yamaha é famosa no meio musical pela qualidade dos seus instrumentos, em particular pelos seus pianos que estão entre os melhores do mundo, segmento este que ela lidera. Mas foi também a Yamaha a primeira a mostrar ao mundo como deveria ser uma motocicleta.

Podemos resumir a marca Yamaha através da filosofia japonesa chamada ‘Canto’ que para os japoneses significava o sentimento de como a música e a beleza impactam nas emoções humanas. A Yamaha é clara ao afirmar que não vendiam pianos, vendiam o prazer da música.

Senhor Torakusu Yamaha

O ano é 1900, Torakusu Yamaha, filho de samurai, constrói a mão o primeiro piano no Japão e o país começa a comprar pianos Yamaha. Pouco tempo depois Yamaha já exportava seus pianos para o mundo todo, os quais eram muito bem recebidos tanto pela qualidade de afinação e som como também pela madeira de excelente qualidade com que eram feitos.

A marca da Yamaha tem no seu logo três diapasões – instrumento responsável pela afinação de instrumentos e que representam também os elementos essenciais na música – melodia, ritmo e harmonia. Para os japoneses da Yamaha os diapasões representam a união entre a harmonia de sons, beleza e sentimentos. É isto que a empresa passa para seus produtos, inclusive as motocicletas quando assume o slogan “tocando o seu coração.”

A Libélula Vermelha

O negócio de fabricar pianos ia bem até a chegada da Segunda Guerra Mundial. Com o Japão arrasado e precisando reconstruir-se totalmente era necessário repensar o negócio, pois em um Japão destruído – que necessitava de comida, moradia e transporte rápido – vender pianos, por enquanto, não era um bom negócio. Para entrar na onda de reconstrução a Yamaha passou a utilizar algumas das tecnologias de fundição de metais – adquiridas quando fabricou hélices para aviões – usadas na fabricação de pianos para construir motos e assim em agosto de 1954 nasceu a primeira moto da Yamaha chamada YA1 – A Libélula Vermelha – 125cc, dois tempos, refrigerada a ar, seis cavalos de força a 5.000 rpm e velocidade máxima de 80 km/h.

A Libélula Vermelha tinha o projeto do seu motor baseado quase que totalmente em uma moto alemã de 125cc montada em motor de dois tempos conhecida como DKW RT 125cc de 1943 um dos modelos mais copiados do mundo, inclusive pela BSA Bantam, a soviética Moska e a Harley-Davidson. Alguns meses depois, em 1955, a Yamaha colocou a Libélula Vermelha para participar de corridas importantes no Japão como a Corrida do Monte Fiji. A Yamaha ganhou várias corridas e junto com a fama vieram os negócios e as vendas. Muitos queriam pilotar a Libélula Vermelha.

YD1 uma moto totalmente nova que possuía um motor com o dobro da capacidade da anterior

Neste mesmo ano a Yamaha já tinha 250 funcionários que construíam 200 motocicletas por mês. No ano seguinte, em 1956, a Yamaha lançava a YD1 uma moto totalmente nova que possuía um motor com o dobro da capacidade da anterior. A YD1 tinha dois cilindros, 250cc, 15 HP, em motor de dois tempos e chegava a velocidade máxima de 113 km/h. Mas a YD1 era bem mais que isso – ela era uma moto de competição com desenho ousado para a época e um acabamento que enchia os olhos das pessoas, pois não escondia nada do motor que podia ser visto bem ao estilo ‘naked’ o que foi uma grande novidade à época. Não demorou para que o seu desenho diferenciado formatado em duas cores caísse no gosto do público mundial.

A DT1 abriu caminho para as consagradas DTs, Tenéré

Em 1958 a YD1 foi a primeira moto da Yamaha a ser vendida nos Estados Unidos. No final da Década de 60 a Yamaha inova e apresenta ao mundo a primeira moto que poderia ser conduzida on/off Road. A América era um país rico e as pessoas queriam comprar tudo que trouxesse emoção e a DT1 caiu como uma luva e foi responsável pela introdução de milhares de pessoas no motociclismo off-road.  A DT1 abriu caminho para as consagradas DTs, Tenéré (em particular a AXT 600 Z a primeira moto de quatro tempos da Yamaha vendida no Brasil) e a família XT de motos lendárias possuidoras de uma gama de milhares de fãs em todo mundo. Em apenas 15 anos a Yamaha tocava corações não apenas com seus pianos, mas com suas motocicletas e converteu-se, desde então, na segunda maior companhia fabricante de motos do mundo.

XS-650 de dois cilindros, 53 cavalos de potência a 7.000 rpm.

Em 1970 a Yamaha fabricou sua primeira motocicleta de quatro tempos batizada nos EUA com o nome XS-650 de dois cilindros, 53 cavalos de potência a 7.000 rpm. A moto tinha um dos desenhos de motor mais avançados para a época e influenciou diretamente o mercado de motos que seguiu a tendência inaugurada pela Yamaha de ser leve, compacta e potente.

No início da Década de 80 a Yamaha introduz a RZ 250 e as suas formas mexeram mais uma vez com o mundo. A moto de 250cc tinha como ponto principal o fato de ser mais ergonômica. A moto vestia o piloto e vice-versa. Para a Yamaha a motocicleta é uma criatura que deve representar a perfeita união entre homem e máquina numa total celebração da vida. E é isso que a Yamaha coloca nas suas motocicletas – alma. Para eles cada moto tem uma personalidade e isso precisa ser levado em conta em todo o seu processo de construção.

A Viúva Negra

No Brasil, na mesma época, chegava a RD 350 LC que vinha com motor bicilíndrico de 347cc, refrigerado a água, cilindros paralelos com os sistemas Torque Induction e YPVS – Yamaha Power Valve System que estabilizava a curva de aceleração do motor. A potência da RD 350 LC era de 55hp a 9.000 rpm e torque de 4,74 kgfm a 9.000 rpm, chassi de duplo berço tubular e câmbio de seis marchas. Para parar essa coisinha não bastavam o duplo freio a disco na dianteira com acionamento hidráulico e um freio a disco na traseira, pois a moto era leve demais – apenas 176 kg. O tanque tinha capacidade para 18 litros e o preço a tornou ainda mais popular: nada mais que 5,5 mil dólares americanos.

A Viúva Negra, como foi chamada aqui, com sua relação custo-benefício e peso-potência era de tirar o fôlego e muitas vidas, pois a RD 350 LC matou muita gente em curvas. Em 1987 a Yamaha lançou a RD 350 com carenagem full e freios Showa, mas a fama de matadora não acabou por aí. A Viúva Negra era muito rápida e virou uma lenda nacional respeitada até hoje pelos seus concorrentes.

Yamaha R1

Em 1985 a Yamaha constrói sua primeira moto esportiva –  a R1. Foi esta moto que influenciou o desenho de todas as esportivas da época e continuou presente até hoje. Era o conceito ‘animal’, assim como leões e tigres a R1 nascia com dois olhos, um motor de 998cc de 4 tempos, 4 cilindros e 150 cavalos de força. A R1 começou a ser comercializada em 1998 como a moto mais potente da Yamaha. Um ano depois a Yamaha lança a R6 de peso mediano com 600cc, 130 cavalos de força baseada na arquitetura da R1. Ambas as máquinas mantinham a tradição da filosofia do Canto que conectava homem e motocicleta em uma profusão de sentimentos e emoções.

Outro conceito novo lançado pela Yamaha na R1 eliminava os cabos de acelerador e colocava computadores no seu lugar. O feito melhorou o desempenho das máquinas e introduziu definitivamente a eletrônica nas motocicletas. A nova R1 trazia 158 cavalos de força que aliados ao acelerador eletrônico entregava respostas quase que instantâneas a aceleração. Aliado a isso tinha ainda o efeito ‘RAM AIR’ que captava o ar e fazia com que a moto ganhasse 30 cavalos a mais quando em velocidades próximas a máxima projetada que colava nos 295 km/h. A R1 é considerada por muitos especialistas como uma das melhores motos do mundo para fazer curvas.

Um dos princípios da Yamaha era o de desenvolver suas motos em corridas. Esta filosofia continuou e trouxe muitas vitórias em campeonatos de motovelocidade mundo afora e no vácuo da história três motociclistas americanos e um italiano deixaram suas marcas na história da Yamaha nas pistas.

Em 1978 Kenny Roberts levou a Yamaha a conquistar suas primeiras vitórias em solo americano correndo com a YZR500 que produzia 180 cavalos de força. Foi Roberts que desenvolveu um novo sistema de suspensão e desenhou uma roda dianteira menor que dava mais estabilidade a grandes velocidades. Depois de aberto o caminho vieram Ed Lawson e Wayne Rainey o mais rápido piloto do mundo por três anos seguidos pilotando uma YZR500 de quatro cilindros e dois tempos. Era tão potente e tão rápida que Wayne declarou que às vezes sentia estar pilotando uma moto que “não queria andar em linha reta”. Por último, ninguém menos que Valentino Rossi – também três vezes campeão mundial pela Yamaha.

R6 – mais leve, porém, não menos potente.

Toda essa tecnologia foi incorporada a R6 considerada por especialistas uma moto excelente em curvas e que quanto mais se acelera mais agressiva ela se torna numa perfeita sintonia com a filosofia do Canto, a mesma que inspirou Torakusu Yamaha a construir o primeiro piano no Japão.

Luís Sucupira

A filosofia da Yamaha de produzir fortes emoções com seus instrumentos musicais também se faz presente nas motos ao fazê-las tocarem música, uma verdadeira sinfonia de metais, em incríveis máquinas de duas rodas.

 

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