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MOTOTURISMO – A Serra da Capivara e o Homem mais antigo das Américas!

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O nordeste brasileiro é muito rico em histórias, cultura e muitas surpresas. Onde se espera apenas terra arrasada, deserto e lugares que o mundo esqueceu é que aparecem coisas que a história do mundo nunca viu.

VIDEO: Confira a edição em vídeo com depoimentos e imagens sobre como foi conhecer o PARQUE NACIONAL DA SERRA DA CAPIVARA

O motociclista e engenheiro cearense, Henrique Vasconcelos, decidiu levar um grupo de amigos para conhecer lugares incríveis e pouco visitados pelos brasileiros. Treze amigos do HD Friends (Fortaleza – CE), um grupo de amigos proprietários de Harley-Davidson rumaram para a Serra da Capivara que fica em São Raimundo Nonato (PI), distante 510 quilômetros da capital Teresina. De Fortaleza foram 1600 quilômetros, ida e volta, numa viagem muito bem planejada e coordenada.

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Em maio de 2016 o grupo partiu para visitar o Parque Nacional da Serra da Capivara, Patrimônio Cultural da Humanidade, declarado pela UNESCO, e que corre o risco de fechar pelo descaso dos políticos que não acreditam na promoção da nossa cultura, da nossa história e do turismo. A FUNDHAM – Fundação Museu do Homem Americano administra o parque em parceria com o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio-Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). O Museu do Homem Americano fica em São Raimundo Nonato e foi formado a partir do acervo de peças encontradas nos mais de trezentos sítios arqueológicos encontrados, até agora, por pesquisadores e arqueólogos do mundo todo.

A história começa em 1970 com o início das pesquisas realizadas por uma equipe franco-brasileira, capitaneada pela pesquisadora e arqueóloga franco-brasileira, Niéde Guidon. Podemos afirmar, sem nenhuma dúvida que Niéde não só transformou a história da humanidade acrescentando vários parágrafos e vírgulas importantes na história do homem americano e a sua chega a aqui.

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Mas o maior trabalho da Niéde foi mesmo a transformação de um lugar que ficava entre ‘nada e coisa nenhuma’, perdido no tempo, com altos índices de mortalidade infantil e entregue à própria sorte para o que São Raimundo Nonato é hoje: O lugar que conta a história da chegada do homem americano no continente. São Raimundo Nonato cresceu à sombra do trabalho de Niéde que transformou um cenário de provável fome em uma economia sustentável que emprega, diretamente, muito mais que 2 mil pessoas.

thumb_IMG_2992_1024Em 1991 o Parque Nacional da Serra da Capivara foi declarado PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE pela UNESCO e de lá para cá ele só cresceu, apesar de todas as dificuldades que é ter um empreendimento cultural no Brasil. Vale destacar que para São Raimundo Nonato poder receber voos diretos, um aeroporto está sendo construído. A pista está pronta, mas não pode receber aeronave pela falta de atitude de fazê-lo operar. Porém, alguns lugares onde os aeroportos servem apenas aos políticos e que não servem para promover nada, a não ser seus próprios egos, estão prontos e funcionam.

Ironicamente, a cientista que projetou a imagem do nosso país e de uma parte do nordeste brasileiro, anunciou, mais uma vez, recentemente, o fechamento do parque por falta de recursos. Sim, por falta da parte dos recursos que deveriam ter sido enviados pelo Governo Federal.

Cerca de centenas de milhares de pinturas rupestres, datadas de 12 mil anos atrás, correm o risco de ficar à própria sorte. Além delas a preservação de vasta extensão de caatinga primária, raríssima hoje no nordeste.

 

A revisão da Teoria do Estreito de Bering

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Até pouco tempo atrás aprendemos na escola, desde muito tempo, que o homem americano chegou ao nosso continente há 30 mil anos, pelo Estreito de Bering e veio descendo até que chegou à América do Sul, a última parte a ser definitivamente ocupada pela raça humana. Mas, de acordo com o descobriu a equipe de Niéde Guidon, mudou totalmente esta teoria que deixou de ser única para ser uma das teorias aceitas.

thumb_IMG_8182_1024De acordo com Niéde Guidon “há cerca de 50.000 anos o homem já ocupava a região o que sugere que vieram também navegando pelo oceano muito antes da chegada dos colonizadores brancos.” Destaca a pesquisadora.

Os números do acervo encontrado são impressionantes. Estão mapeados, atualmente, 345 sítios arqueológicos dos quais 240 com pinturas rupestres. A megafauna também está registrada. Foram encontradas uma vasta fauna fóssil repleta de mastodontes, cavalos, tatus gigantes, lhamas, preguiças gigantes que conviveram com o homem americano há 12 mil anos.

thumb_IMG_3162_1024O parque é muito bem estruturado e não deixa nada a dever aos melhores parques do mundo. O Centro de Visitantes coordena todas as visitas que são acompanhadas pelos guias especializados. Há também pousadas, albergues estudantis e área de camping. Em São Raimundo Nonato existem pousadas e restaurantes simples onde a carne de bode é a especiaria a ser degustada.

Podem ser visitados 48 sítios arqueológicos muito bem estruturados e 14 trilhas de beleza indescritível. Algumas merecem destaque: a Toca do Boqueirão da Pedra Furada, o Sítio do Meio, o Desfiladeiro da Capivara e o imperdível Baixão das Andorinhas onde em todo fim de tarde há uma revoada a um som parecido com o produzido pelos carros de corrida.

A fauna e a flora estão perfeitamente preservadas e lá ainda é possível encontrar jaguatiricas, tatus, mocós, seriemas, onças, gatos-do-mato, serpentes e morcegos que convivem entre mandacarus, xique-xiques, juazeiros e aroeiras.

 

Um patrimônio ameaçado

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Todo esse patrimônio cultural está ameaçado não pelo homem nativo da região, mas pelas autoridades que pouca importância dão ao complexo sistema montado no meio do sertão. É comum a divulgação de notícias na imprensa tratando do fechamento do parque por falta de repasse de verbas por parte do Governo Federal. O seu fechamento ou mesmo o funcionamento precário podem prejudicar milhares de pessoas que vivem do ecoturismo e do turismo cultural, além de privar o mundo de poder conhecer, pesquisar e proteger uma parte importante da nossa história como raça presente neste planeta.

São Raimundo Nonato seria apenas mais um município a viver exclusivamente do Fundo de Participação dos Municípios – FPM se não fosse a descoberta de Niéde Guidon e todo o trabalho de uma vida inteira dedicada a cultura em prol das pessoas locais.

Niéde fez um belo trabalho não só científico, mas em benefício das pessoas do lugar. Ela certa vez afirmou em entrevista que “não tem como falar em preservação da natureza quando o homem é a principal espécie ameaçada de extinção.” Foi baseada nisso que ela atuou na melhoria da qualidade de vida das pessoas, fomentando parcerias importantes para a geração de emprego e renda e, ao mesmo tempo, buscando descobrir, proteger e preservar o tesouro arqueológico da Serra da Capivara.

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Naqueles tempos, no início da chegada de Niéde à São Raimundo Nonato, a cidade possuía uma das mais altas taxas de mortalidade infantil no Brasil, hoje a cidade que teria a fome no seu cardápio principal tem outra vida e ela é fruto da sensibilidade e da luta de uma grande mulher brasileira.

GALERIA – CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR

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