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Tiradentes (MG) abre museu com motos centenárias

Desde os 15 anos, Rômulo Filgueiras coleciona tudo que está relacionado ao mundo das duas rodas: primeiro foram miniaturas, revistas e livros; depois vieram chaveiro, apontador, imã de geladeira. Aos 57 anos, o costume se tornou obsessão e deu origem ao recém-inaugurado “Museu da Moto”, em Tiradentes (MG), com mais de 3.000 itens.

O acervo particular conta com 85 motos — 66 expostas, algumas sendo finalizadas, outras em fase de restauração. Há réplicas, modelos históricos, militares, agrícolas, Vespa e Lambretta.

Montado em um casario a 300 metros da estação ferroviária, ponto turístico da cidade, o museu tem sete cômodos que somam 360 metros quadrados de área e cria toda uma atmosfera saudosista. Além das motos, o espaço traz miniaturas, peças, placas e utensílios em formato de motos.

Acervo abrangente

No acervo mineiro, exemplares nacionais e importados têm extrema relevância dentro da motocultura. Destaque para a belga FN, de 1909, com side car feito de vime, motor monocilíndrico com menos de 5 cv de potência, farol a carbureto e, como diferencial, transmissão por eixo-cardã, sistema imortalizado pelas BMW.

Aliás, no museu mineiro há vários modelos da marca alemã fabricados entre as décadas entre 1950 e 1980.

Há ainda uma Indian Chief 1946 com câmbio manual e uma Harley-Davidson Flathead 1947 com suspensão Springer (molas aparentes) na dianteira.

Há ainda a 29ª moto Honda produzida no Brasil: Segundo Filgueiras, a CG 125 “bolinha” 1976 é a mesma unidade usada por Pelé na campanha de marketing do lançamento da moto.

Outras raridades são exemplares fabricados na Hungria, Belarus, Rússia, Inglaterra e na extinta Tchecoslováquia. Muitas dessas marcas se perderam no tempo.

Filgueiras está providenciando a réplica de uma Draisiana, de 1813. Feito em madeira, o veículo já contava com guidão, sistema de endurecimento da direção e regulagens da altura do assento. Só como analogia, seria a moto dos “Flintstones”.

Revivendo a história

O próximo passo do Museu da Moto de Tiradentes é ter uma biblioteca para pesquisa e ainda uma sala de restauração. Com esse passo, será possível remontar uma moto histórica como se fosse zero-quilômetro, seguindo os padrões de originalidade conforme publicações e catálogos de época.

“Além apresentar a evolução tecnológicas das motos, temos o prazer de reacender a chama do motociclismo, já que muitas pessoas que passam por aqui têm alguma história, alguma boa recordação sobre duas rodas. Queremos preservar as máquinas e amplificar estas boas histórias”, afirma Filgueiras.

O Museu da Moto fica na avenida Governador Israel Pinheiro, 35, Tiradentes (MG). Abre suas portas conforme a agenda de eventos da cidade mineira, cobrando R$ 10 pela entrada de adultos (crianças não pagam). Para conferir as datas de funcionamento, siga a página do museu no Facebook (veja o link aqui).

Divulgação

Húngara Csepel foi fabricada em 1950 e é peça rara no Brasil

Outras viagens no tempo

Veja mais opções de museus e galerias brasileiros de motos que valem a visita:

– “Gallery 275”, Petrópolis (RJ):
Tem motos fabricadas no Brasil entre as décadas de 1970 e 1990, com um acervo de mais de 100 unidades (de 50 a 1.100 cc).

No galpão de 600 m² é possível encontrar raridades como as Yamaha YB50, DT125 e R5 250; Honda SS50, ST70 e CJ 250; Suzuki A50, A100 e integrantes da família GT (185, 250 e 380). Há ainda o único exemplar no Brasil da Kawasaki A1 1970 Special 250cc.

Rua Cândido Portinari, 275, Bairro Mosela. Informações pelo sitewww.gallery275.com.br ou (24) 2235-8512. Ingresso: R$ 15.

– “Museu de Motocicletas BMW”, Curitiba (PR):
Inaugurado em junho de 2011, tem dois andares com 350 m² cada e é considerado um dos cinco principais do mundo em tamanho e qualidade da coleção.

Reúne 40 motos que fazem uma viagem pela história da marca, de 1923 até o ano 2000. A mais antiga é uma R 32 de 1923, a primeira fabricada pela BMW. A coleção traz ainda o revolucionário C 1, scooter com capota produzido em 2000, a primeira G 650 GS produzida no Brasil e ainda a rara R 17 1937 (430 unidades produzidas no mundo).

Só abre para grupos fechados (de 20 a 40 pessoas) com agendamento prévio. Fica na rua José Naves da Cunha, 144, Seminário. Informações pelo site www.colecaobmwcuritiba.com.br.

– “Museu Duas Rodas”, Visconde de Mauá (RJ):
Aqui é possível conhecer mais veículos antigos entre motocicletas, ciclomotores, bicicletas motorizadas etc. São mais de 90 modelos coletados desde a década de 1970, formando um dos acervos mais representativos do país.

Pena que os veículos ficam em um galpão estreito, com motos quase encavaladas.

Entre os destaques, a primeira motocicleta quatro-cilindros em linha do mundo, a FN de 498 cc. Há ainda modelos de marcas como Ducati, Norton, DKW, Moto Guzzi, Vespa, Java, Harley-Davidson, Wanderer, Velo Solex e Csepel, além de dezenas de motos de competição. Alguns exemplares são do início do século passado.

Museu Duas Rodas, s/n, Alcantilado, Parque Nacional de Itatiaia. Informações pelo site www.museuduasrodas.com.br.

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