Pesquisa CNI contradiz alguns discursos sobre a crise

A CNI-Confederação Nacional da Indústria divulgou pesquisa que deixa em contradição todas as queixas das indústrias e as medidas por ele tomadas por conta dos efeitos da crise mundial.

De acordo com pesquisa o faturamento da indústria de materiais eletrônicos e de comunicação cresceu 26,3% em dezembro de 2008, na comparação com o mês anterior. Em relação ao mesmo mês de 2007, o setor cresceu 20,6%. No acumulado do ano, em comparação com 2007, o aumento foi de 21,5%.

O faturamento do setor eletrônico não acompanhou os números registrados pela indústria de forma geral, que, de acordo com a CNI, teve queda de 4,3% na receita de dezembro, em relação a novembro. Mas na comparação com o mesmo mês de 2007, a queda foi de apenas 2% para tanto barulho. No acumulado do ano, a indústria registrou um crescimento de 5,7% em faturamento. Aqui não a contradição se torna ainda mais evidente.

A produção industrial deste segmento pesquisado engloba televisores, rádios, DVDs, celulares e outros eletrodomésticos e sofreu retração de 48,8% em dezembro do ano passado, em comparação ao mês anterior, segundo estudo divulgado ontem (03/02) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo com dois dias úteis a mais em dezembro, as horas trabalhadas na indústria eletrônica caíram 48,8% em dezembro (coincidência?), na comparação com novembro. Porém, muitos esquecem que este ano tivemos férias coletivas em grande parte das indústrias e fábricas paradas não produzem e se não produzem o índice cai, é óbvio.

Considerando o mesmo período de 2007, as horas trabalhadas diminuíram 17,3%. No ano, por outro lado, o tempo de trabalho cresceu 14,1%. Outra contradição em relação aos discursos de algumas indústrias. As horas trabalhadas diminuíram em toda a indústria no último mês do ano passado, segundo a CNI. A queda na comparação com novembro foi de 13,9%. Levando em consideração o mesmo mês de 2007, a queda foi de 4,6%. Crescimento só no acumulado do ano, de 4,8%, frente a 2007.

Apesar de ter apresentado desempenho em receita melhor do que o registrado pela indústria de forma geral, o setor de materiais eletrônicos e comunicação registrou recuo de 7,1% no emprego em dezembro, em comparação a novembro, bem acima do índice geral, que ficou negativo em 2,2%.

Em comparação com dezembro de 2007, o emprego no segmento registrou queda de 8,5%. No ano, o recuo foi de 3,5%. A massa salarial da indústria eletrônica, ao contrário, apresentou alta de 48,8% no mês e de 2,5% no acumulado do ano. Para a indústria de forma geral, os mesmos índices ficaram em 14,2% e 4,4%, respectivamente.

O uso da capacidade instalada, na indústria eletrônica, foi de 66,4%, o que representa uma queda de 6,9 pontos porcentuais frente a novembro, quando o índice estava em 73,3%. Em dezembro de 2007, o uso foi de 70,8%.

Em média, a indústria operou com 78,5% da capacidade instalada em dezembro, o que representa um declínio de 3,8 pontos porcentuais na comparação com novembro. Com a queda, o uso da capacidade instalada voltou ao mesmo patamar registrado em 2006.

Os números apresentados pela CNI abrem espaço para uma reflexão: A crise não atinge toda a indústria e nem todos os fabricantes de materiais eletrônicos e de comunicação. Por outro lado, é importante destacar que muitos podem estar se aproveitando da crise para enxugar folhas e custos com a redução da carga horária e de salários. Vale ficar atento, pois tanto aqui como nos EUA muitas empresas pegaram dinheiro subsidiado e aumentaram salários e reforçaram seus balanços, algumas até maquiando resultados.

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