Olhem as câmeras! O produto sumiu!!!

O seguro morreu de velho?

O ditado “O seguro, morreu de velho”, nunca foi tão atual.Quem tem loja de informática sabe muito bem do que eu estou falando. Quando realizam a contagem de produtos acabam tendo amargas surpresas. O produto sumiu! Ninguém sabe onde foi parar. Conferem o estoque, as notas de entrada e saída e nada do tal produto. Por fim, olham as gravações do circuito fechado e descobrem que um ladrão entrou na loja e levou. Bem na cara de todo mundo, que não viu.

Aqui começa uma grande confusão. A desatenção dos funcionários e do gerente e até mesmo do segurança, se tiver um, vai ser penalizada com um valezinho no final do mês ou com aquele sermão cujo título é por demais manjado: “Será que aqui ninguém presta para nada?”. Todo mundo fica chateado, o clima fica ruim e todo mundo passa a ser suspeito.

Esta situação é bem mais comum do que se pensa. Os furtos nas lojas de varejo de informática e eletrônicos têm um impacto terrível tanto no bolso como no moral da tropa. O furto representa hoje 38,1% das perdas do varejo brasileiro. Cerca de 57,5% no caso de eletroeletrônicos. Redução da margem de lucro, da competitividade e mesmo depois de roubado muitos se recusam a investir em sistemas de segurança e de controle de perdas. Os dados são da 9ª Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro, feita por GPP-Provar/FIA (Grupo de Prevenção de Perdas), Nielsen, Abras (Associação Brasileira de Supermercados) e Felisoni Consultores Associados. Entre os fatores de perda também estão erros administrativos, fornecedores e quebra operacional.

Antes de tratarmos de soluções tecnológicas para evitar furtos é importante que a gente possa conhecer o perfil de quem faz isso. Podemos dividir estas perdas em três categorias; Assalto, Furto e o velho golpe.

O assalto sempre acontece através do uso da força ou da coerção através de armas, força bruta ou chantagem. Gera muito trauma e o foco, na maioria das vezes é o dinheiro e os produtos mais caros. No Golpe há uma grande armação, geralmente envolta em documentos fraudados e cartões clonados. O objetivo é utilizar a boa fé ou a ansiedade do vendedor para fazer com que uma aparente grande venda se transforme em um real pesadelo.

Os picaretas ou golpistas usam das mais variadas estratégias. Vale destacar aqui que o ladrão que não usa armas (o descuidista) e o golpista são muito inteligentes. Um recente exame mais detalhado descobriu que o Q.I. dessas pessoas é elevado (não confundir Q.I. com caráter-uma coisa nada tem a ver com a outra ou um não quer dizer outra). Elas usam a sua inteligência para ações criminosas. Muitos pensam que é fácil furtar. Não é. Os riscos são elevados, mas a maioria, depois que consegue um bom resultado passam a gostar da coisa e são estimulados pela sensação de burlar a segurança ou de enganar alguém para obter alguma vantagem. É muito semelhante àqueles que usam a Lei de Gerson. Uns são aproveitadores, outros são criminosos.

Os ladrões profissionais de loja têm boa aparência, na maioria das vezes se vestem bem e falam bem.Conhecem a rotina da loja e a melhor hora para que isso seja feito.Certa vez ao analisarum furto no sistema um empresário descobriu-se bem mais do que apenas o momento do furto. Depois de tanto ser furtado, o empresário, que chamaremos de MR. Fco. chamou um especialista em furtos em lojas para ajudar. O especialista decidiu analisar dez dias para traz e descobriu que o ladrão era um habitual freqüentador da loja. Sempre entrava e circulava. Prestava atenção em tudo e demorava bastante na loja. Na maioria das vezes comprava alguma coisa para despistar. Isso aconteceu pelo menos umas cinco vezes. O tempo de permanência na loja era longo. Nas últimas duas vezes veio com um ou dois comparsas. No dia do furto tudo que precisavam fazer era roubar. Chegaram de boné para dificultar a identificação, esperaram o momento certo e o furto foi feito.

Apesar de cada ladrão ter seu estilo, alguns sinais são comuns. Desconfie sempre quando…

1-o cliente demorar muito na loja, circulando na loja, mexendo em produtos e não comprar nada. Desconfie também daqueles que compram de vez em quando e passam muito tempo na loja.

2-Muitos não pedem ajuda e preferem ficar só o tempo todo.

3 – Eles sempre escolhem os lugares onde as câmeras não filmam.

4-Lembre-se que o fato de por câmeras só não basta. Os ladrões hi-tech sabem que tipo de câmeras estão instaladas e qual a resolução e pior: o limite de identificação.

5-Na maioria das vezes esses ladrões cansam os vendedores. São insistentes e ficam na loja até conseguir o que vieram levar. Enquanto um chama a atenção outro age. Os mais espertos são aqueles que conhecem os limites do vendedor. Geralmente o vendedor, depois de certo tempo, desiste do cliente que está demorando a comprar e parte para outro cliente que chegou e deseja levar logo. Pode até ser verdade a compra, ou não, mas eles sabem disso. Isso é instintivo e só pode ser evitado com muito treinamento.

Faça o que fizer, a melhor forma de poder evitar tais furtos é utilizar a tecnologia. Já está provado e comprovado que empresas que adotam proteções tecnológicas conseguem praticamente zerar os furtos provocados por agentes externos. Sim, agentes externos, pois existem os funcionários.

Os funcionários são um capítulo à parte. Muitos pensam que os furtos feitos porfuncionários ocorrem sempre da mesma forma. Mas não funcionam assim. Já vi e desbaratei um grupo que atuava em setores da empresa e se utilizava de técnicas contábeis de alto nível a qual deu bastante trabalho descobrir. Para citar alguns casos mais comuns, muitos funcionários literalmente jogam alguns produtos no lixo (MP3, MP4, acessórios caros e até fontes caras de computador, e notebooks). De lá seguem em sacos até fora da empresa e um comparsa apanha lá fora. Ok! Alguns lixões não permitem tais facilidades, mas acredite: eles dão um jeito.

Segundo Vance, do Provar- FIA, muitas grandes e médias empresas já contam com sistemas estruturados de prevenção de perdas. Mas não é regra geral. Para o coordenador do Núcleo de Varejo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Ricardo Pastore, as formas de controle e prevenção do furto devem ser incorporadas na gestão da empresa. “Isso começa com uma boa gestão de estoque, o que muitos varejistas ainda não têm”, finaliza Solimeo, da ACSP.

Mas como evitar ou dificultar?

Cerca de 29,2% é o índice de furtos feitos por funcionários e terceiros entre as perdas do atacado. Seguem os eletrônicos (26,8%), segundo a 9ª Avaliação de Perdas no

Varejo Brasileiro. A lista é extensa, mas muitos produtos reúnem qualidades comuns: são pequenos e têm alto valor agregado. Segundo Ricardo Pastore, da ESPM eles são mais fáceis de carregar e de revender no mercado paralelo. Pilhas, aparelhos de barbear, acessórios para informática e para ferramentas, como brocas e serras, cosméticos, protetores solares e até aparelhos eletroeletrônicos são bastante visados. “Televisores pequenos de LCD são grandes outros candidatos a engrossar a relação dos itens mais furtados”, prevê Pastore. Consultor especializado em varejo Marco Antonio Geraigire faz uma distinção. Para ele, os produtos-alvo de furtos externos, feitos por clientes, são os de necessidade da pessoa ou da família, como medicamentos, ou ainda os que têm mais procura no mercado informal. Já os de furtos internos, feitos por colaboradores, são objetos de desejo ou que podem ser consumidos dentro da loja.

A legislação brasileira é bem branda para roubos efetuados por funcionários. Você pode até demitir por justa causa, mas se alegar roubo só poderá fazê-lo depois que a justiça assim o julgar. A maioria das empresas deixa isso pra lá. Apenas demite por justa causa depois de um acordo com o funcionário, que na maioria das vezes de nada vale, pois ele pode recorrer alegando toda forma de pressão.

Ultimamente as empresas demitem, por justa causa ou não, e em seguida abrem processo contra o ex-funcionário. No processo, juntam as provas e deixam rolar. Apesar de dar em muito pouco ou em quase nada, as empresas se preservam de alguma ação contrária. Mesmo assim, nada impede que o ex-funcionário possa por a empresa na justiça.

A abordagem e o tratamento dado a estes tipos de casos deve ser o mais cauteloso possível. No caso de furto provocado por pessoas que não figuram no quadro de funcionários é necessário que a abordagem seja, pelo menos, feita 5 metros após a saída da loja. Aqui é importante incluir o estacionamento. Lembre-se, que a abordagem deve e precisa ser gravada em vídeo para não deixar nenhuma margem de dúvida. Se todo esse cuidado for tomado, você pode, inclusive chamar a polícia e, nada mais do que justo, prender o meliante. Agora, mais um cuidado: nada de agredir fisicamente e tome todo cuidado para não expor o criminoso, pois você pode acabar como três delegados da narcóticos do Ceará, que ao permitir imagens de consagrados criminosos para a imprensa, foram exonerados de seus cargos a pedido da OAB-Ce que nega o fato. Me perdoem os defensores dos direitos humanos, mas direitos humanos são para humanos, não para alguns tipos de criminosos. A polícia não é uma entidade santa, mas uma boa parte dos seus quadros, senão a maioria é composta de profissionais sérios. Deixem que trabalhem. Aos ruins, basta a lei.

Enfim, o assunto é extenso e cheio de facetas. Meu conselho é buscar capacitar a sua equipe e monitorar através da tecnologia. Assim as chances diminuem consideravelmente e com isso os prejuízos, pois ninguém que trabalha honestamente ficará satisfeito em perder capital para mais uma sanguessuga. Já bastam os políticos e os impostos.

Ninguém merece…

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