O carnaval acabou. Feliz 2009!

Feliz ano novo! É isso mesmo? Sim, começou 2009. No Brasil ano novo começa em março. Pelo que pudemos ver nos dois primeiros meses a crise mundial está bem dividida. Existe a crise financeira mundial que arrastou um monte de grandes marcas que estavam fazendo dinheiro na bolsa e junto com elas outro monte de investidores, empregos etc. Quem dependia dessas empresas também está em maus lençóis. As empresas brasileiras que vendiam para esses mercados e forneciam para estas empresas também ficaram bem complicadas e precisaram demitir. Até na China isso aconteceu. Com o Japão a coisa foi diferente: o Japão vive de criar e fornecer tecnologia para o mundo todo, mas seu maior cliente são os americanos que sem dinheiro não compram e por conseqüência vem o restante citado acima. Um exemplo disso é a EMBRAER que com o adiamento de contratos e encomendas para o exterior teve que demitir.

Na outra ponta estão os emergentes a cisnes conhecidos como BRICs Brasil-Rússia-India-China. Estas quatro nações conseguem sobreviver por que possuem um grande mercado interno. No caso do Brasil especificamente, as empresas que lá fora estão dando prejuízo aqui dão lucro e isso faz ‘crescer os olhos’ daqueles investidores que gostam de fazer apostas seguras.

É clara a divisão da crise e se todas as medidas do Obama para limpar a desastrosa gestão Bush derem certo, no tempo previsto, as coisas para o lado que mais sofre deverão melhorar antes do que se espera. Outra coisa é certa: a economia parece ser mais forte do que se imaginava e as agências de risco errarão mais uma vez nas suas avaliações apocalípticas.

O cenário mudou meus queridos leitores e a época que passou ficará mesmo na história. Acredito que é neste momento que nós brasileiros teremos a chance de ganhar alguma vantagem e crescer bastante por conta da nossa incrível capacidade de adaptação. Temos a bagagem de vários planos desastrados e sabemos como sobreviver.

Ainda não falei da crise psicológica que, em minha opinião, é a pior de todas, pois gera na cabeça de cada consumidor os medos e os traumas de cada um e com estes todas as possíveis teorias da conspiração. Analisar mercado agora exige muito mais cuidado que antes.

Alguns empresários analisam o mercado de oportunidades e ameaças baseados em três leis cujas interpretações são, na maioria das vezes, equivocadas. São elas:

1-O Teorema de Xuthágoras(assim mesmo) – A maioria das pessoas tenta ‘acertar’ nas tendências do mercado com base no que ‘as pessoas dizem’ e não no que ele percebeu/filtrou após analisar várias opiniões. É a turma que tenta reinventar a roda e acaba sendo atropelada por ela.

2-A Lei de Blancheur(ou Blanchu como muitos pronunciam)-que diz que assim como são os mercados são os clientes e vice-versa e não necessariamente nessa ordem.

3-A Lei de Murphy No. 186-onde tudo que parece, é o que ‘parece’!

Nenhum destes gênios brilhantes existe ou pelo menos ninguém conseguiu comprovar as suas passagens por este mundo azul. Mas eles refletem e encarnam a sabedoria popular do varejista. É importante em um momento desses re-analisar tudo sob todos os pontos de vista, amadurecer bem os conceitos, ouvir muito e tomar decisões.

Analise o mercado e verifique quem está crescendo e por que está crescendo; exija respostas que sejam mais profundas que simplesmente ‘ a flutuação do dólar’ a ‘crise’, o ‘governo’ etc. Escutar muito é fundamental; produtos de baixo giro na sua loja são uma boa chance de fazer caixa! Elabore uma estratégia de networking: Clientes que não compram há mais de três meses merecem ser visitados. Pense mais em Serviços-valem muito e agregam ainda mais! Busque a parceria de fornecedores e distribuidores e se seu distribuidor está querendo ‘comer seu fígado’ troque-o antes que ele te mate.

Finalmente, busque novos mercados e novas oportunidades. Se você estudou bem o mercado, ouviu bastante não vai ter muita dificuldade de encontrar tais oportunidades. ACREDITE-Tem muita gente se dando bem com a tal crise e não é de maneira desonesta ou especulativa é com boas idéias que estão virando ações rentáveis.

Vamos ver o que podemos filtrar do noticiário: Selecionei alguns fatos que gostaria de listar aqui. O noticiário mundial mostra bem o que acontece nos dois lados.

A novela Positivo-Lenovo começou novamente e a Positivo é sim uma excelente oportunidade de negócio. As Lojas próprias das marcas prometem ser outra boa saída. HP, Apple e agora a Microsoft devem reforçar esta tendência. O trafego de vídeos na internet deverá crescer 150% até 2013(isto te diz alguma coisa?). Mesmo com a crise fervendo e as empresas demitindo a Intel investe 7 bilhões em fábricas para melhorar a qualidade do seu material. A Elgin entra no mercado de notebooks (por que será?) e a Amazon espera crescer 9% em 2009 e pasme: não deu prejuízo ainda e segundo afirma, não espera por ele.

Algumas mudanças são radicais nos modelos de negócios e os sinais se mostram fortes para algumas empresas. A Pioneer, por exemplo, fechará a produção de telas planas e a Hitachi, Qimonda, Pioneer,Panasonic, Motorola, Fujitsu e Sony, marcas mais que tradicionais estão muito ruins e não esperam melhoras. A Acer deve entrar no mercado de celulares junto a Huawei e outras grandes marcas. A Microsoft está em crise depois do desastre à Vista que está passando e aposta no Windows 7 para recuperar-se, mas o problema creio, não é de produto, mas de procedimentos-ou ela muda o foco ou será engolida pelos novos conceitos de nuvem adotados por Google e outros grandes players mais ágeis que ela neste mercado. A Motorola também amarga seus próprios erros estratégicos que ainda pioram por conta dos efeitos da crise.

Por outro lado a proteção do emprego, por parte dos países em crise, colocou uma faca no coração de muitos que saíram daqui em busca do sonho americano, do sonho europeu e do sonho asiático. Muitos brasileiros estão sem emprego. Esta mão-de-obra com conhecimento de uma segunda língua, bem preparada tecnicamente e com novos conhecimentos voltará para concorrer aqui no mercado de trabalho. Será uma batalha interna entre Brasileiros X Brazucas. Isto te diz alguma coisa? Que tal se aperfeiçoar um pouco mais? É bem possível que encontre numa sala de espera para uma entrevista algum brazuka.

Lá fora, remendar o ‘fundo das calças’ e por ‘meia-sola’ nos sapatos era considerado coisa de pobre ou de ‘pão-duro’. Hoje, nos EUA isto virou um grande negócio e tem brasileiro fazendo uma boa grana. Você ainda tem alguma dúvida que existem oportunidades de ganhar dinheiro com a crise?

Enquanto isso, aqui no Brasil, aumenta a venda de carros (aumentou a inadimplência, mas os juros também subiram e algumas pessoas não conseguiram pagar, o que ainda está na faixa do normal). Mesmo assim o crédito está voltando e o juro do cheque especial baixou. Ou os bancos fazem isso e reduzem a sua sanha de esfolar o cliente ou terão que ir fazer companhia às suas matrizes no exterior amargando grandes prejuízos. O dólar parece estar se estabilizando e deve cair só um pouquinho mais a partir do segundo semestre para um patamar não inferior a R$ 2,20. A agricultura não perderá como se esperava. As medidas de redução de subsídios devem permitir uma competição mais honesta entre países no campo da comida onde o Brasil é a fazenda da mundo.

No final de janeiro e parte do início de fevereiro deste ano faltou produto em alguns distribuidores (haviam pedidos, mas não tinham alguns modelos de placas-mães, processadores e memórias). No campo das telecomunicações a Claro e a Vivo fecharam janeiro no Azul e investindo. Será lançado o console brasileiro-Zeebo da Tectoy. Eu ouvi muitos criticando o console por ‘ser brasileiro’, mas não sabem que ele é resultado de uma joint-venture tecnológica.

Aqui um “aparte desabafatório” (como diria Odorico Paraguassu do impagável Bem-Amado, da fictícia Sucupira – a cidade onde ninguém nunca morre): tem brasileiro (nem sei se posso chamar de brasileiro) que nada do que se faz aqui presta. Nada que existe aqui é digno de elogio. Esses tipos de brasileiros, quando nos fazem o favor de ir embora daqui, são os primeiros a chorarem copiosamente diante das câmeras pedindo para voltarem dizendo que aqui é o melhor lugar do mundo para viver. Claro, não são todos e nem todos que choram são assim, mas os que têm este perfil, na minha opinião, deveriam ajudar e contribuir em vez de apenas “esculhambar”. Temos defeitos e os temos em boa quantidade. Todos os países do mundo os têm também. Mas repito: mesmo com tudo isso, aqui ainda é o melhor lugar do mundo para se viver. E se ele não melhora mais rapidamente, o grande culpado são aqueles que dizem não gostar de política e por isso viram as costas, não participam e escolhem mal. Esquecem os 60% que detestam política que são os políticos, que eles detestam e que nada fazem, os que decidem como caminhará nosso país e as nossas vidas.

Do lado político o governo do Rio de Janeiro entrega 12 mil notebooks a professores e alunos. São Paulo lança programa “Um laptop por professor”. Ainda teve gente que criticou argumentando que professor ‘não deveria ter notebook ou não precisaria’. Estes são os mesmos que reclamam que ‘falta tecnologia na sala de aula’.

Já a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica) prevê crescimento de 4% para a indústria eletroeletrônica brasileira. No varejo estouram ofertas e escuto poucos reclamarem de vendas. Sim, o cliente está mais seletivo, mas isso é excelente, pois puxa o mercado para cima e exige que tenhamos melhor atendimento, melhor entrega, melhores ofertas, melhores prazos e serviços.

O que alguns vêem como ameaça eu costumo enxergar como oportunidade. A notícia de que 04 em cada 10 notes vendidos no Brasil são ilegais é uma oportunidade que mostra existir 40% de um mercado a ser explorado. É preciso ‘queimar pestanas’ e estudá-lo, conhecer o perfil desse consumidor e convencê-lo a mudar de lado. Não é fácil, mas não é impossível.

Por outro lado a população já deu a receita de máquina que deseja adquirir. Cerca de 67% desejam note com 3G embutido e misturado a isso outro dado mostra uma outra oportunidade: O mercado de notes cresceu 66% nos últimos 3 meses de 2008 e continua a crescer agora apontando para os netbooks. Para encerrar por aqui a IBM que demitiu lá fora cresce 6% no Brasil. Ai eu pergunto: o que será que alguns que estão crescendo e lucrando viram que, alguns de nós, não conseguimos enxergar e entender?

Brasil cresceu 16% no acesso à internet. Cerca de 24,5 milhões de residências têm acesso; 38,2 milhões de brasileiros com acesso residencial e pulam para 43 milhões incluindo acesso fora de casa. O país navegou em janeiro 24 horas e 49 minutos em média. O Brasil possui 33,3 milhões de computadores; é o 10º. no mundo com 2,8% do total. As expectativas do setor de computadores na América Latina giram em torno do Brasil. Segundo projeções da Intel, o país deverá se tornar o terceiro maior mercado de PCs no mundo até 2010. A pesquisa encomendada pela Intel aponta que 45% das pessoas que fizeram parte da amostra estariam dispostas a pagar entre R$1.450,00 e R$2.200,00. A barreira psicológica começa a partir do preço de R$3.000,00 por um notebook.

Com relação aos hábitos de compra do brasileiro, 93% dos consumidores verificam pessoalmente o produto nas lojas antes de realizar a compra. Um outro estudo encomendado pela Intel e realizado pelo Instituto Monitor revela que 62% dos consumidores das classes A e B brasileiras que compraram um computador nos últimos 12 meses procuraram informações pela Internet para ajudá-los na escolha do produto. Normalmente esses consumidores utilizam boletins informativos, sites de busca (como o Google) ou consultam diretamente os sites dos fabricantes e fórum de discussões especializados em tecnologia da informação como o Fórum PCS (65% dos consumidores). Dos 93% dos consumidores verificam pessoalmente o produto nas lojas antes de realizar a compra e apenas 19% efetua compra online. Com relação a compra por impulso, os homens são a maioria, representando 63% do total de consumidores.

A pesquisa revela ainda que o preço ideal de um PC varia de acordo com a camada social: a classe A está disposta a pagar a partir de R$2.000,00 por um computador, as classes B e C cerca de R$1.500,00 e a classe D até R$1.000,00. Isto não te mostra nenhuma oportunidade? Nenhuma idéia nova?

A próxima tendência não será de PCs maiores e com mais recursos, que é o segmento em que a Microsoft sempre se destacou. Atualmente, os laptops superam os desktops. Os futuros dispositivos de computação serão mais leves, menores; algumas vezes, serão conectados; outras vezes, não. Eles acompanham a preferência dos usuários, como acontece com os telefones celulares. O desktop está migrando para os dispositivos móveis.

O Android, do Google, que emprega código-aberto e é, essencialmente, uma versão móvel do Linux, já conquistou muitos adeptos. A T-Mobile e as fabricantes Ericsson, Garmin, Lenovo Mobile, Motorola e Samsung, estão “de olho” no sistema. Mesmo que o Android não tenha tudo que essas fabricantes querem, em sua primeira interação, elas consideram a Google como uma companhia capaz de fornecer aplicativos on-line e de se manter com o potencial de conseguir o SO ideal.

O novo dispositivo móvel que está se destacando atualmente, o iPhone, que executa o Mac OS X, já ultrapassou o Windows Mobile com 12,9% de participação no mercado, em comparação com os 11,1% da Microsoft, de acordo com a Gartner.

O Android está apenas começando a se aquecer. Até mesmo o Palm, em declínio já durante cinco meses consecutivos, conseguiu captar US$ 100 milhões da Elevation Partners porque seus patrocinadores têm confiança de que o Palm pode competir com o Windows Mobile.

Por isso, na minha lista de oportunidades para 2009 estão também netbooks para executivos; SSDs de grande capacidade para netbooks e para backup; a popularização da tecnologia 3G (para quem não sabe no Japão cerca de 60% dos acessos a Web são feitos através de celulares e não de computadores ou laptops). Outra novidade que chega junto com a febre de portabilidade e conectividade são os mini-projetores que projetam imagens de 34 polegadas. Um telão portátil que poderá ser incluído em celulares com telas sensíveis ao toque; também outra tendência irreversível que acompanhará a TV Digital com sinal aberto presente nos celulares.

A Classe A deverá adquirir a sua quarta máquina para casa e deve ser um netbook. A Classe B deverá adquirir seu segundo notebook, já a Classe C poderá adquirir seu primeiro notebook ou como segundo computador e, a Classe D, deverá adquirir seu primeiro desktop. Por fim, a Classe E deverá comprar seu primeiro computador, que tudo indica poderá ser um usado por menos de R$ 400,00 que podem vir de várias fontes: usuários que trocaram máquinas, empresas que fizeram upgrade ou até mesmo as que fecharam ou se fundiram com outras.

Na lista de oportunidades para 2009 ainda cabem mais coisas. O outsourcing deve ser outra oportunidade a ser considerada para ajudar na redução de custos das empresas com a terceirização de impressão, de manutenção e com a locação de micros. No campo dos serviços podemos apostar nos treinamentos sobre tecnologia para terceira e quarta idades, na manutenção programada para estes públicos, na garantia estendida para notebooks e na instalação de wireless em residências de classes A/B/C que deverão ter mais de um computador, dentre outras oportunidades.

A guerra não será de preços, mas de idéias que, se colocadas em prática, podem gerar bons lucros.

É importante lembrar que “A dificuldade revela o empresário. A prosperidade o esconde.” Uma crise nas palavras de António Gramsci ” consiste precisamente no fato de que o modelo velho está morrendo e o modelo novo ainda não pode nascer. Nesse interregno, uma grande variedade de sintomas e oportunidades aparecem.”

A Índia ganhou o Oscar, a China anuncia missões espaciais em 2010 e 2011 e o Brasil virou referência mundial em como estar passando por uma crise com efeitos menores. Você tem alguma dúvida que algo está mudando?

É preciso ficar bem claro nas nossas privilegiadas cabeças que não estamos vivendo uma época de mudanças, mas uma mudança de época.

Feliz 2009!

DICA DE FILME: após ler este artigo eu sugiro que assista ao filme de William Macy, De Porta em Porta. Bill

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