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Minha vida numa moto – o supermercado

Minha vida numa moto – o supermercado

Amigos e irmãos motociclistas, um belo dia desses estava este missivista a dialogar sobre como viver em duas rodas e eles acharam interessante falar como seria a vida de quem faz tudo de moto. Com já havia dito eu deixei de usar carro por alguns anos, mas precisamente, por três deles, por pura opção e filosofia. Eu queria ver como seria viver apenas usando moto.

Outra dica que eles me deram e que adotei foi a de que você precisa de uma moto para uma coisa e outra moto para outra coisa. Estavam certos. Enfim, a minha ideia é escrever sobre isso – as aventuras e desventuras de quem faz tudo numa moto – pelo menos, quase tudo.

Comecemos por algo bem simples – fazer supermercado. Como moro só as funções de profissional e dono de casa se acumulam e ir ao supermercado é uma delas. Para quem anda de moto a feira pode vir a ser um grande problema. Nesta coluna eu vou explicar como eu faço para me virar. Antes de tudo é importante separar o que é “essencial”, “importante” e “acidental”. Explico: “Acidental” são aqueles itens que você pode comprar depois, que podem aguardar. “Importante” são aqueles itens que precisam ser comprados, mas não agora; ou que podem ser comprados via telefone e “essencial” são aqueles itens que se você não comprar não tem o que comer ou não lava a roupa e nem limpa a casa.

Descobri que usando a Poposuda e seus baús (3) e mochila de apoio eu consigo, numa única ida, comprar mantimentos para 15 dias. Isso me ajudou a evitar desperdício de comida, pois, para quem mora só alguns itens acabam vencendo. A vantagem é que quando chego a casa eu só faço retirar os baús e os levo e lá eu os esvazio. O velho carrinho de compras serve apenas pra isso. Os baús voltam para o guarda-volumes da casa e as compras seguem para o armário. Quanto à “sagrada cerveja” ela fica na categoria dos “importantes” e pode ser adquirida já gelada diretamente de um depósito aqui perto que me traz água e refrigerantes, o qual também adquiro pelo telefone e sem taxa de entrega. A carne também é pedida por telefone. Primeiro faço uma visita ao açougue para mostrar a cara e conhecer a qualidade do produto, faço amizade com o entregador (que também é usuário de moto) e levo o primeiro pedido. Na segunda peço por telefone e ela chega bem legal e ainda rola um papo com o entregador sobre motos e equipamentos de segurança.

Mas se eu desejar algo “acidental”? Digamos que um vinho com alguns queijos e algumas especiarias. Você programa uma nova ida, só que desta vez irá a uma loja especializada e lá escolhe, compra e trás para casa. Nenhuma dessas ações mudou a originalidade da moto. Para pequenas compras, dessas que cabem na mochila, quem vai passear no super é a caçula – a XR200 que uso para fora-de-estrada. Parece um bicicletinha, mas é muito levinha e gostosa de andar.

Mas e quando saímos para uma cerveja? A solução é não ir de moto. Vá de “angélica” (taxi) ou a pé. Beba sem preocupação com o bafômetro e muito menos, quando voltar, se o seu carro não foi roubado ou amassado. De novo a dica é escolha um taxista que sempre está disponível e tenha um plano B. Quando não pinta carona, o taxi é extremamente mais cômodo e menos arriscado do que beber e pilotar. Confesso que não sinto falta de carro. Às vezes nas quais eu realmente preciso dele são tão poucas que nem vale a pena ter um e as despesas que gera rodando pouco não compensam para mim.

Eu me lembrei do meu avô – o saudoso Comendador Sucupira – que andou a vida toda de bicicleta e ônibus e nunca teve habilitação (e ainda assim foi presidente do sindicato dos motoristas profissionais do Ceará), criou 11 filhos e casou duas vezes. Ainda me lembro de uma matéria do jornal O Povo no Ceará que trazia na manchete “Sucupira passa dos ‘oitenta’ a pé.” E olha que o cara era professor, jornalista, governador, deputado federal e imortal da Academia Cearense de Letras – contemporâneo da Raquel de Queirós. Ufa! E sempre andava a pé ou de bicicleta. E por falar em bicicleta um fato interessante aconteceu com ele (mais um de muitos bem engraçados). No dia da posse como Interventor (governador à época) a comitiva atrasou e ele resolveu ir de bicicleta assumir o Governo do Estado sob os protestos da Dona Nilda – sua esposa amada. Chegando lá o militar chefe da segurança não o conhecia e o prendeu sob a alegativa que o “governador não anda de bicicleta”. Minutos depois, meu ainda avô preso na guarita junto com a bicicleta, chega o chefe da segurança junto com a comitiva e aos berros pede desculpas ao “governador”. O militar desmaiou quando descobriu que tinha prendido o Governador do Estado. Meu avô depois de socorrer o rapaz ainda o nomeou para ser da sua segurança. Ah! A feira da casa do vovô era feita via carro de frete. Dizia ele que ainda tinha gente para ajudar a descarregar tudo.

Então, se dá para fazer tudo isso numa moto, por que não dá para fazer uma feira? Essa é uma parte da minha vida numa moto. Semana que vem a gente trata do tema “Minha vida numa moto: Cantando, na chuva!”. Até lá.

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