História: Conheça a CBX 1050 – 06 cilindros – uma puro sangue Honda.

 

Na década de 70, a Honda liderava com folga, entre os fabricantes de motos graças ao sucesso retumbante de sua CB 750 K que, inclusive, foi considerada a moto do século.

Mas como tinha um enorme interesse no mercado americano, em veículos de 4 rodas, colocou seus melhores engenheiros para criar toda uma nova geração dos automóveis Honda Civic e Accord.

De 1969 a 1975 a CB 750 permaneceu praticamente inalterada, aparecendo somente a CB 750 F, que nada mais é do que uma CB 750 K com nova roupagem.

Esta confortável liderança foi seriamente ameaçada com o aparecimento das Kawasaki Z1 900 cc que, com seu magnífico motor com duplo comando de válvulas, desbancou as Honda CB 750 K do seu trono. Surgiu aí a necessidade da Honda produzir uma nova moto para desbancar a supremacia da Kawasaki e colocar-se novamente numa posição de vanguarda.

Em dezembro de 1977, os engenheiros que, outrora estavam se dedicando aos automóveis, começaram estudar dos caminhos que poderiam ser seguidos para a criação de uma nova e revolucionária moto.

As dúvidas recaiam sobre três opções:

  1. O motor da GL 1000 poderia ser usado ? A qual potência poderia chegar este motor ?
  2. Fazer um novo motor 4 cilindros em linha com 1000 cc, duplo comando de válvulas e 16 válvulas baseado no motor usado nas Honda RCB 1000 que corriam nas 24 horas de Bol d’Ór .
  3. Partir para um projeto totalmente novo, com um motor 6 cilindros em linha, duplo comando de válvulas e 24 válvulas, diferente de tudo que havia no mercado, e que fosse tão superior à concorrência que calaria os que acreditavam que a Honda tinha adormecido para o mercado de motocicletas e que não conseguiria retornar ao topo deste.

A terceira alternativa foi escolhida e, bem ao estilo Honda, o motor teria que ter alta potência a alto giro. Chamaram para integrar a pequena equipe que idealizaria a moto o Sr. Shoichiro Irimajiri , um engenheiro aeronáutico que ingressara na Honda em 1963 e que idealizou os motores que ganharam os campeonatos mundiais em 1965 ( 50 cc, 2 cilindros, 8 válvulas com Ralph Bryans – 125 cc, 5 cilindros, 20 válvulas com Luigi Taveri – 250 cc, 6 cilindros, 24 válvulas com Mike Hailwood ), 1966 ( 250 cc, 6 cilindros, 24 válvulas com Mike Hailwood ) e 1967 (250 cc, 6 cilindros, 24 válvulas com Mike Hailwood ).

Dr. Shoichiro Irimajiri (criador e criatura !)

                    

  Honda 125cc de 5 cilindros

Honda 250 cc de 6 cilindros

    
                Honda 250 cc de 6 cilindros

A experiência de Irimajiri com os motores 6 cilindros o credenciou a ser o responsável pelo projeto da primeira moto 6 cilindros de produção em grande escala.
A idéia era tentadora, mas o primeiro grande problema deste projeto seria o peso da moto, talvez muito superior aos 250 kg, um limite colocado pela equipe que a estava idealizando – daí a necessidade do uso de materiais nobres pela primeira vez em uma motocicleta.

A primeira vista o motor da CBX é praticamente idêntico ao motor da RC 166 250 cc – campeã mundial de 1965, 1966 e 1967 – por isso a facilidade e rapidez em desenvolver o motor.

Ao mesmo tempo era desenvolvido um novo motor 4 cilindros em linha refrigerado a ar ( Que originou o motor da Honda CBR 1000 anos mais tarde ), que já na bancada de testes tinha comprovado ser extremamente leve e muito mais rápido que o motor 6 cilindros.

Este fato foi comprovado nos testes de pista, mas havia algo sobre o motor 6 cilindros da CBX que o fazia mais excitante que o 4 cilindros – o ronco do escape, a sensação de aceleração única, a ausência de vibrações mesmo a altas rotações – algo que não podia ser defendido em números como velocidade e peso faziam da CBX uma máquina verdadeiramente excitante.

Motor da 250 cc de 6 cilindros

Como a proposta era fazer uma máquina totalmente nova e revolucionária, uma verdadeira “Superbike”, diferente de tudo que já tinha sido feito antes, o projeto da CBX 6 cilindros foi escolhido.

No final de 1978, a Honda assombrou o mundo motociclístico com a incrível CBX 1050 com 6 cilindros. Quando foi apresentada, era simplesmente a síntese de tudo que uma motocicleta de alta performance poderia ter naquele momento.

Com 6 cilindros, 6 carburadores, duplo comando de válvulas operando 24 válvulas, o motor produzia 103 HP no virabrequim, fazendo a moto percorrer o quarto de milha em 11,55 segundos ( A única moto a baixar dos 12 segundos na época ) e chegar aos 222 km/h ( A moto de venda ao público mais veloz da época ).

Era a mais rápida, mais potente e mais veloz moto de série que o mundo tinha visto até então , com uma notável e quase inacreditável tecnologia embarcada.

Os engenheiros da Honda, liderados por Irimajiri foram audaciosos – Construir um motor 6 cilindros era uma coisa, mas fazer um motor de produção em massa que atenda aos padrões de durabilidade e performance da Honda e que fosse dócil de usar já era um verdadeiro milagre.

Também foi a primeira vez que uma moto de série usava duralumínio e magnésio, o que antes só era concebido em motos de competição.

Uma especial atenção foi dada ao fato de que a enorme potência disponível teria que poder ser utilizada sem jogar ao chão quem a pilotasse. Não é difícil criar uma moto potente, mas é extremamente delicado torná-la acessível para a maioria pilotá-la.

Partindo do maior pneu traseiro disponível na época, foram dimensionados a balança traseira e as suspensões – o motor teria que caber no que sobrou !

Pela primeira vez uma moto foi construída com um quadro com estrutura tipo diamond – leve, rígido e forte !

Todo o esforço foi feito no sentido de tornar o motor o mais compacto possível.
A bancada de cilindros foi deslocada à frente num ângulo de 30º e os carburadores foram deslocados para o centro da moto a fim de livrar espaço para as pernas.

Se observarmos bem, este motor é apenas 50mm mais largo que o motor da CB 750 K, o que foi conseguido colocando o gerador de pulso e o alternador numa árvore secundária atrás do virabrequim.

A imprensa americana ficou encantada com a moto – a revista Cycle Magazine, quando publicou o primeiro teste, disse :

“A moto é mais do que rápida ; ela é mágica. Uma análise mais detalhada de suas credenciais técnicas nos leva ao céu. Conhecendo a moto reconhecemos que as únicas tendências que a Honda segue são as criadas pela própria Honda, sem compromisso com nenhuma outra existente. É a moto mais exótica e mais carismática que jamais testamos. Não há dúvida que a CBX é a máquina de série que acelera mais rapidamente, entre todas as motos que já foram produzidas “.

No Brasil, a revista Duas Rodas Motociclismo, em seu primeiro teste com a moto, publicou:

“Projetada como uma verdadeira moto de competição, talvez a maior qualidade da CBX seja o fato de estar colocada ao alcance de todos, e não só dos pilotos dos grandes prêmios.”

Já na época se sabia que a moto seria uma das mais colecionáveis entre todas as motos produzidas e que nunca, jamais seria esquecida.

Com um produto deste quilate nas mãos, a Honda mais uma vez estabeleceu a supremacia total no mercado motociclístico da época, voltando ao topo.
Irimajiri, no entanto voltou ao anonimato depois de sua criação, voltando a cena no campeonato mundial como o responsável pela mítica NR 500cc 4 tempos, 32 válvulas e pistões ovais, mas esta é outra história.

A CBX foi produzida somente durante 4 anos, e as produzidas em 1979 tornaram-se as mais desejáveis e colecionáveis, pois em 1980 a produção da moto passou para os Estados Unidos e, com a nova legislação americana sobre poluentes, determinou-se uma redução na potência das motos conseguida às custas de mudanças na carburação, curva de avanço e comando de válvulas.
Em 1981 a moto foi equipada com suspensão traseira Pro-Link , bolsas laterais e carenagem, transformando-se assim numa Touring e teve sua produção encerrada no final de 1982 .
Foram produzidas em torno de 42.000 motos nestes 4 anos.


CBX 1050 1980


CBX 1050 1981

O mundo não estava preparado para uma moto 6 cilindros como ela – isto aconteceu depois – com a introdução da GL 1500 6 cilindros em 1988 e a Valkyrie em 1997.

Hoje em dia, quando as motos esportivas de alta cilindrada escondem seus motores atrás da carenagem, o tamanho do motor da CBX parece loucura. Vendo a moto sob qualquer ângulo o motor não deixa de chamar a atenção. Então imaginem o impacto desta moto em 1978 !


A CBX virando peça de Museu ! (Allen Vintage Motorcycle Museum em Boston)

Hoje as motos são muito mais populares do que há 20 anos, então o foco das montadoras é a produtividade e o custo envolvidos na fabricação – será muito pouco provável ver outra moto com um motor 6 cilindros em linha, novamente, no futuro.
As únicas outras 3 motos a fazer companhia à CBX neste seleto clube são a Kawazaki Z 1300, Benelli 750 Sei e Benelli 900 Sei, mas estas ficarão para outras matérias.


Clube das 6 cilindros !  CBX 1050, Z 1300, Benelli 900 Sei e Benelli 750 Sei

(Clique aqui para ver outras fotos) 

Ficha técnica:

Dimensões

Comprimento 2.240 mm

Largura 780 mm

Altura 1.150 mm

Peso a seco 249 kg

Capacidade tanque 20 l

Reserva 5 l

Motor

Cilindrada 1047 cc

Diâmetro e curso 64,5 x 53,4 mm

Compressão 9,3;1

Carburadores 6 X 28 mm Keihin

Potência máxima 103 HP@ 9.000 rpm

Torque máximo 8,6 kgf.m@ 8.000 rpm

Capacidade óleo 5,5 l

Extraído do site: http://sata.toi.com.br/glauco/PageCondores

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