Apagão: PROBLEMAS COM O FORNECIMENTO DE GÁS.

Embora o governo tenha descartado a possibilidade de um apagão de energia elétrica ou racionamento neste e no próximo ano, com os reservatórios das hidrelétricas em nível mais baixo, quase todas as termelétricas a gás natural no País já foram acionadas e não há mais insumos para novas usinas.

Para Carlos Stempniewski, mestre em Administração de Empresas e professor do curso de Administração das Faculdades Integradas Rio Branco “A matriz energética brasileira vem se desenvolvendo, há algum tempo, baseada na importação de gás da Bolívia, para a qual foi construído um gasoduto que vem até São Paulo. Com a entrada de Evo Morales na Bolívia, os investimentos na área de gás praticamente desapareceram e, por isso, aquele país, não está atingindo as metas de extração de gás como deveria – cerca de 20% abaixo dos compromissos contratuais assumidos.

É a conjunção de dois fatores que gera a escassez do produto no mercado: falta de investimento na Bolívia para extração de gás e aumento de consumo no Brasil e Argentina. No primeiro momento, o governo disse que o produto não faltará, já no segundo momento, restringiu-se o fornecimento para a termoelétrica de Cuiabá, que praticamente não vem funcionando movida a gás, e no Rio de Janeiro, significativo número de postos ficou sem o produto nos últimos 40 dias. Além disso, recentemente, o ministro interino de minas e energia declarou que o consumo de gás, como energia mais barata, cresceu desmensuradamente no País, gerando problemas para o governo. Quando Morales estatizou a Petrobras, foi dito que os problemas não chegariam até os consumidores e não é isso que está acontecendo na prática. Temos falta do produto e o preço, nos últimos 30 dias, já subiu mais de 15% para o consumidor final, contra uma inflação no ano passado de 4,4 % . A média dos reservatórios brasileiros (hidrelétricas) está, hoje, em cerca de 42% de sua capacidade. O gasto para a produção de energia é de 20% ao ano, ou seja, se não chover, cai para 22%. A média de chuvas na região Sul e Sudeste, no ano passado foi cerca de 15%. Se essa proporção se mantiver, é provável que chegue em torno de 28 a 30% da capacidade desses reservatórios e, daqui a doze meses, estaremos chegando em nível próximo da impossibilidade de geração de energia. Então, apesar do governo dizer que não haverá apagão, essa possibilidade é muito próxima porque em doze meses, os reservatórios devem chegar ao nível de atenção”.

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