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Aos 65, Graça preside maior clube de motocicletas do RN

05/07/2015 – 07:30
Fábio Cortez / Novo Jornal – RN
Maria das Graças dos Santos Medeiros, motociclista: aceitou o desafio de um site dos Estados Unidos e percorreu 1000 milhas em menos de 24h
“Eu me chamo Maria das Graças dos Santos Medeiros, sou professora aposentada. Trabalhei 34 anos num colégio particular, mas hoje sou só motociclista”, diz sobre si mesma a  presidente do maior clube de motocicletas do Rio Grande do Norte, o Mototribo Potiguar. Além de aventureira, ela sabe tocar sanfona, violão, piano e flauta doce. Com 65 anos de idade, nem pensa em largar o hobbie de ganhar o mundo sobre duas rodas.

Acompanhada do marido, Dona Graça já rodou por todos os estados brasileiros, com exceção da região Norte, e também já passou pelo Paraguai, Argentina e Uruguai. Também acumula prêmios de desafios encarados pelas trilhas para motociclistas, porém confessa: “Você não vai acreditar, mas nas horas vagas gosto de fazer tricô”.

“Ela é desbravadora, dinâmica, uma mulher de coragem e que tem muita liderança. Se destaca entre os membros do clube”, resume o médico Jamil Varela Cardoso, amigo de Graça e companheiro de motoclube, sendo motociclista há 58 dos seus 80 anos de idade.

Porém, até se tornar essa sumidade, foi muito chão percorrido. A paixão dela pelos veículos de duas rodas começou ainda na infância. O pai dela, Neco Moisés, tinha uma bicicleta motorizada. “Ele contava as coisas que tinha vivido com a bicicleta de motor, como numa vez que foi ver um eclipse com a minha mãe, que estava grávida. E aqueles causos me empolgavam”, recorda.

A partir das histórias de Neco Moisés, Dona Graça foi se apaixonando pelas motocicletas. “Eu pensava: como é que a pessoa pode ficar em duas rodas?”.

Nascida em Jardim do Seridó, ela viveu os primeiros anos numa fazenda. Dona Graça lembra que sempre gostou de se aventurar pelas terras do pai, a correr de cavalo. “Sempre tive esse gosto por aventura”, reitera.

Por lá, passava sempre um mascateiro que vendia seus produtos em uma moto, além de um empresário que possuía loja em Natal e desfilava em sua Harley “com sai de cá”, aqueles bancos acoplados na lateral do veículo. Dona Graça, ainda criança, ficava fascinada pelas motocicletas e quando os avistava pedia para chegar perto e observar as motos.

Em 1960, ela foi estudar em Caicó, cidade vizinha, numa escola religiosa. Dois anos depois da mudança, conta, todos os padres ganharam a chamada Vespa Italiana, aquelas motocicletas de pequeno porte, que tiveram grande penetração de mercado na década de 60. “Eu fazia de tudo para que me deixasse tirar a moto de um lugar e estacionar em outro próximo”, lembra.

O encantamento pelos veículos de duas rodas permaneceu sendo nutrido pela menina Graça, só que as aventuras ainda não haviam saído de sua cabeça. Foi quando, já adulta, ela foi fazer faculdade de Estudos Sociais na cidade de Palmeira dos Índios, em Alagoas. Era 1972 quando adquiriu a primeira moto. Uma motoneta, de pequeno porte, que servia basicamente para levá-la aos lugares que precisava na cidade alagoana. “Se não me engano, porque faz muito tempo, acho que era da Monark”.

No comando dos marmanjos do Mototribo Potiguar

Ostentando seu colete de motociclista, com vários escudos que representam viagens e associações, Dona Graça conta que atualmente ocupa a presidência do maior clube de motocicletas do Rio Grande do Norte, o Mototribo Potiguar. São 59 pessoas participando da equipe que, além dela, tem só mais uma mulher. “Sou a presidente dessa ruma de marmanjo”, brinca.

O clube fundado em 1998 agrega atualmente alguns dos motociclistas que iniciaram a prática no nosso estado. “Gente que foi pioneira no motociclismo aqui do estado. A gente até tá sem viajar muito junto, porque só tem velho”, gargalha.

Graça diz que sua maior ousadia dentro do mundo das motocicletas foi conseguir enfrentar o preconceito que lhe foi imposto no começo de seu envolvimento com as motos. Num ambiente que era restrito aos homens, assim como outros setores da sociedade naquela época, a mulher era vista como incapaz e estranha ao meio.

Entretanto esta professora de 65 anos vem provando o contrário desde os anos 70. Mais recentemente, inclusive, Dona Graça realizou mais uma de suas peripécias motociclísticas em 2008. Acompanhada de oito amigos, ela topou o desafio Iron Butt. Trata-se de uma prova proposta por um site estadunidense que consiste em percorrer 1000 milhas em menos de 24h.

Dona Graça foi a primeira mulher a completar o desafio. No grupo de cinco motocicletas, ela era a única piloto que não carregava ninguém na garupa. “Também não há registro de cinco motos que chegaram juntas, estando só uma delas sem a garupa ocupada”, assegura.

A equipe tem ainda o menor tempo de conclusão do percurso em todo o Nordeste. As 1000 milhas foram percorridas em 20h20, das 19h às 15h20, de Natal a São Luís do Maranhão. “Fomos direto, parando só para abastecer”, conta Dona Graça.

Além do Iron Butt, ela já participou do desafio da Serra do rio do Rastro, no interior de São Paulo, e a primeira etapa do desafio Rastro da Serpente, também no estado paulista. Rastro da Serpente é o apelido das rodovias SP-250 e BR-476, que unem os estados de São Paulo e Paraná. O desafio é um passeio obrigatório para os aventureiros de moto, que precisa mostrar sua perícia em serpentear nos 260Km e mais de 1200 curvas.

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