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A verdade por trás da polêmica sobre os combustíveis. Nem tudo é o que parece.

12689401915667760372 Muito se fala sobre combustíveis e como eles podem afetar o seu veículo. O Você e Sua Moto entrevistou um motociclista, que também é proprietário de posto de combustível, para esclarecer alguns mitos.

Conversamos com Marcelo Lira, empresário, dono do Posto Janjão de bandeira BR PETROBRÁS. Marcelo é do Anonymous MG e nas horas, raramente vagas, fotógrafo do Você e Sua Moto.

Confira a entrevista.  

O empresário Marcelo Lira e sua esposa, também motociclista, Germana de Menezes.
O empresário Marcelo Lira e sua esposa, também motociclista, Germana de Menezes.

Você e Sua Moto – Muitos atribuem ao combustível ruim ou adulterado as falhas no funcionamento dos motores a combustão. Tem mais algum outro fator que pode ocasionar isso?

Marcelo Lira: Desde 2013 as gasolinas produzidas no Brasil são controladas de forma ostensivas pelos órgãos fiscalizadores e agências reguladoras, como DECON, ANP, SEMACE, IBAMA, PGR e as próprias distribuidoras através de programas de monitoramento “de olho no combustível”. Por essas razões, os donos de postos de combustíveis praticamente não conseguem mais adulterar combustíveis. Com a diminuição do teor de enxofre na gasolina e no diesel, para melhorar a proliferação dos gases tóxicos na atmosfera, esses produtos ficaram ainda mais puros e mais suscetíveis a detecção de possíveis adulterações, vez que modifica o cheiro e a cor deles. A gasolina comum, aditivada e ‘premium’ são combustíveis que têm em suas composições, atualmente, 27% de ÁLCOOL ANIDRO, ou seja, álcool sem água, podendo haver flutuação nesse percentual de 1% para mais ou menos. Muitos veículos que circulam no país têm mais de 10 anos de uso e muitos deles não fazem as devidas manutenções no sistema de combustão, provocando desgaste das peças e contribuindo para o mau funcionamento do veículo. Tanque sujo, crosta na tubulação de abastecimento e circulação, sujeira no sistema de alimentação e, às vezes, água no sistema de injeção, provocando oxidação das partes que contém ferro. O porquê da água no sistema – por conta da condensação do ar no tanque de combustível, que, por falta de manutenção, ocasiona a entrada de H²O no sistema e nos bicos injetores, fazendo com que o veículo venha a falhar na combustão. Hoje os veículos são dotados de sistema de injeção de última geração, com bicos injetores de espessura finíssima e bombas de combustível imersas no tanque. Vale salientar que, quem anda com carro com pouco combustível, a incidência de ocasionar dano do sistema de injeção é maior do que quem anda com tanque cheio.

VSM – Quanto à distribuição e venda de combustíveis da base até o posto, quais as possibilidades de fraudes?

petrobrasMarcelo Lira:  No Brasil existem duas modalidades de distribuição, CIF e FOB. No sistema CIF quem transporta é o próprio dono do posto e no sistema FOB quem transporta são as transportadoras conveniadas pelas distribuidoras. No sistema CIF não tem lacre de controle nos tanques do caminhão e no sistema FOB são lacrados com lacres numerados que correspondem ao da Nota Fiscal emitida para o posto. Ambos sistemas vão com BOLETIM DE CONFORMIDADE da distribuidora, que é um documento que comprova a idoneidade do produto, teor alcoólico, massa específica, temperatura de ensaio, etc.; e deve ser conferida pelo posto antes do descarregamento. No sistema FOB é muito difícil a chamada adulteração, pois a lacração e o encaminhamento da numeração vai junto com a NFE. Hoje em dia, “batizar” combustível sai mais caro que vender honestamente, pois no caso o NAFTA, solvente de teor carburante parecido com a gasolina, é mais caro que a própria gasolina e sua volatilidade é 20 vezes maior. Misturar com álcool etílico, que é mais barato que a gasolina, também se tornou impossível, pois a gasolina tem corantes específicos que detectam quando o álcool hidratado se mistura a ele, ficando branco, da cor de leite.

VSM – Então como pode ocorrer essa adulteração?

Marcelo Lira: O que ocorre hoje, não é a adulteração no combustível em si, gasolina mais especificamente, mas a manipulação dela em alguns postos. Os meios usados para enganar o consumidor são tecnológicos. Hoje, as bombas são eletronicamente monitoradas pelos sistemas de automação e existem meios de manipular, através de chips e placas eletrônicas que são colocados nas placas mãe e que esses, acionados à distância, diminuem a quantidade de combustível que entra no veículo. O consumidor só vai perceber se for aquele contumaz cliente do posto, pois a verificação do consumo de seu carro vai fazer-lhe com que ache que o carango está consumindo demais.

VSM – O que fazer para coibir esse tipo de manipulação?

Marcelo Lira:  Os órgãos de fiscalização devem entrar também no mundo tecnológico e se aparelharem com equipamentos que detectem essas placas invasoras de bombas. Assim o consumidor estará seguro de que aquele posto é idôneo.

VSM – E sobre o biodiesel? Quais cuidados se deve ter?

Marcelo Lira – O nosso óleo diesel é composto de óleo diesel e biodiesel, produto carburante originado de óleos vegetais e a proporção chega hoje no Brasil, se não me engano, a 5% do volume de óleo diesel puro. Esse biodiesel é muito deteriorante e consequentemente cria-se uma espécie de “borra” nos tanques de combustíveis. Com a condensação do ar, cria-se uma lama no fundo dos tanques que, quando acionado pelo carro a diesel, vai para o sistema de injeção, passando antes pelos filtros de combustível. Acontece que a maioria dos motoristas só troca óleo do motor e esquecem de trocar os filtros de combustível, que são feitos em celulose. Com a mistura dessa lama e o papel dos filtros, as partes internas desses se dissolvem e viram uma “papa de gordura vegetal”, entupindo todo o sistema de transmissão dó óleo diesel, como se fosse um colesterol nas tubulações. Quando ocorre isso, o carro falha, para de funcionar e o motorista acusa o posto de adulteração.

VSM – Por que a gasolina é tão cara no Brasil?

Marcelo Lira – A gasolina é refinada nas bases autorizadas do Rio e Bahia, passando de processo bruto para refinado. Isso tem um custo de produção, que gera despesas logicamente, mas essas despesas já estão computadas no custo da mercadoria e desse custo gera o valor do produto refinado. A partir desse valor é que vão ser somados os impostos e contribuições incidentes sobre o combustível, que são 31% custo de refino da Petrobrás, 13% custo do Etanol Anidro, 29% ICMS retido na fonte, 10% CIDE/PIS/PASEP/COFINS, com composição de 73% gasolina e 27% álcool anidro, variando esse percentual entre os produtos de gasolina comum (27%), aditivada (27%) e Premium (25%).

É importante abrir os olhos dos consumidores a respeito dessas informações. Nem sempre acusar o posto é a causa do problema. Precisam também fazer as manutenções, coisa que a maioria dos brasileiros esquece ou acha que não precisa.

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